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Polícia

Pastor é denunciado por mais de 10 mulheres por crimes sexuais: 'Disseram que eu era depressiva e mal-amada'

As vítimas relataram abusos durante sessões de terapia, revelando a manipulação de confiança por parte do pastor, que também é psicólogo  |  Reprodução/Redes Sociais

Publicado em 15/10/2026, às 09h14   Reprodução/Redes Sociais   Redação BNews

O pastor e psicólogo Aluizio Vidal Flor, de 58 anos, foi denunciado por 12 mulheres por crimes sexuais. Os casos teriam ocorrido ao longo de aproximadamente 20 anos, na cidade de Porto Velho, em Rondônia. O religioso está preso desde setembro.

Segundo informações do g1, as denúncias chegaram ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO) após uma das mulheres decidir relatar o que afirma ter sofrido durante sessões de acompanhamento psicológico. A partir daí, outras possíveis vítimas procuraram as autoridades.

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Uma das denunciantes, Mirian Rios, relatou que procurou o pastor em busca de ajuda para lidar com problemas no casamento. De acordo com ela, a confiança no profissional era reforçada tanto pela atuação como psicólogo quanto pela posição de liderança religiosa.

Durante a sessão, no entanto, Aluizio teria ultrapassado os limites da relação profissional. Antes de procurar a Justiça, ela tentou levar as acusações à própria igreja, mas afirma que não se sentiu acolhida.

A mulher contou que passou por um julgamento interno conduzido por um grupo de 13 homens, entre presbíteros e representantes da Igreja Presbiteriana do Brasil. Na ocasião, as acusações de abuso sexual não foram consideradas comprovadas por falta de provas.

"Para explicar minha denúncia, passaram a dizer que eu era bipolar, instável, depressiva e mal-amada. Disseram que eu havia me apaixonado por ele, que tinha confundido as coisas. Chegaram ao extremo de espalhar que eu era garota de programa. De vítima, fui transformada em prostituta e vilã."

Relatos de outras vítimas

Após a experiência na igreja, Mirian procurou o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit), do Ministério Público de Rondônia. O relato contribuiu para o avanço das apurações e incentivou outras mulheres a procurarem as autoridades.

Em outro trecho de seu depoimento, a denunciante destacou a relação de confiança que mantinha com o pastor e psicólogo, a quem recorria para tratar de questões pessoais.

"Confiava nele como psicólogo e como pastor. Ele conhecia minhas dores, minhas fragilidades e aspectos muito íntimos da minha vida. Eu o via como pai, amigo, mentor, pastor, psicólogo e conselheiro. Jamais poderia imaginar que aquela confiança seria usada contra mim."

Conforme a denúncia recebida pelo MP, as situações teriam ocorrido tanto no consultório psicológico quanto nos bastidores da igreja. Aluizio teria se aproveitado da posição de confiança que ocupava para cometer crimes contra mulheres que procuravam atendimento em momentos de fragilidade emocional, incluindo crises conjugais, traumas familiares e perdas gestacionais.

Também ao g1, outra vítima, identificada como Kamila Fernanda, afirmou que foi paciente de Aluizio por mais de dez anos, com períodos de interrupção no acompanhamento. Segundo ela, durante uma sessão realizada no ano passado, o psicólogo declarou que era apaixonado por ela e tentou levantar sua blusa.

"Na última sessão do ano passado ele disse que sempre tinha sido apaixonado por mim e que desde que fiz bariátrica ele tinha o sonho de me ver pelada e tentou erguer minha blusa. [...] Ficava de frente e escorado em mim e me olhando tentado me hipnotizar."

Ainda de acordo com a denúncia, o psicólogo teria utilizado exercícios descritos como técnicas de hipnose ou relaxamento durante as sessões para cometer os crimes.

 Líder religioso está preso

Aluizio foi preso preventivamente em setembro de 2026. Semanas depois, o Ministério Público de Rondônia apresentou à Justiça uma denúncia baseada no primeiro inquérito concluído pela Polícia Civil, que reuniu relatos de oito mulheres.

A denúncia abrange acusações de estupro contra duas mulheres e de violação sexual contra outras duas. Em relação às demais vítimas incluídas no primeiro inquérito, o órgão solicitou o arquivamento parcial de parte dos fatos. Entre os motivos apontados estão a prescrição de algumas condutas e a ausência de tipificação penal específica à época de outras ocorrências.

Posteriormente, outras quatro mulheres procuraram as autoridades, dando origem a uma segunda investigação. Ao todo, 12 mulheres denunciaram o pastor e psicólogo em um período de dois meses.

O processo tramita sob sigilo judicial, e um terceiro procedimento relacionado às denúncias ainda está em apuração.

Em nota após a prisão, a defesa de Aluizio afirmou que acreditava que as investigações comprovariam a inocência do pastor. Quando ele foi denunciado à Justiça, o advogado foi novamente procurado, mas optou por não se manifestar.

Classificação Indicativa: Livre


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