Polícia
Publicado em 11/10/2026, às 07h54 Reprodução / Redes Sociais Tiago Di Araújo
Um jovem de 20 anos morreu após ser atingido por 27 tiros disparados por policiais militares durante uma abordagem em Moema, na zona sul de São Paulo. Gustavo Munis de Santana foi baleado na madrugada deste sábado (10), depois que os agentes interpretaram como uma ameaça o objeto escuro que ele segurava. O item encontrado junto ao corpo era um celular. As informações são do UOL.
Segundo o boletim de ocorrência, quatro policiais militares atiraram durante a ação e efetuaram, ao todo, 45 disparos. A perícia identificou 27 ferimentos provocados por projéteis de arma de fogo no corpo do jovem, incluindo lesões na cabeça, no tórax, no abdômen, nos braços e nas pernas.
A equipe da Polícia Militar foi enviada ao local após uma solicitação envolvendo um homem que estaria ameaçando tirar a própria vida. Conforme a versão dos agentes registrada no boletim de ocorrência, Gustavo correu ao perceber a chegada dos policiais.
Ainda segundo o relato, o jovem saiu de uma área escura e estendeu os braços na direção dos agentes, segurando um objeto preto. O movimento foi interpretado pelos policiais como uma possível ameaça com arma de fogo, o que levou os quatro a dispararem.
O objeto, no entanto, foi posteriormente identificado como um celular Samsung de cor escura.
O registro policial aponta que a rua onde ocorreu a abordagem contava com iluminação pública. Além dos ferimentos encontrados no corpo de Gustavo, foram identificadas marcas de disparos em imóveis próximos e em viaturas policiais.
Os policiais envolvidos utilizavam câmeras corporais durante a ocorrência. Segundo as informações divulgadas, as imagens já passaram por uma análise preliminar e deverão integrar a apuração do caso.
A morte foi registrada como resistência e morte decorrente de intervenção policial. As circunstâncias dos disparos serão investigadas pelas autoridades.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que as armas utilizadas pelos policiais, o celular da vítima e as gravações das câmeras corporais serão submetidos a perícia.
A conduta dos agentes também será examinada em um Inquérito Policial Militar (IPM). A pasta declarou que não tolera desvios de conduta por parte de seus integrantes.
Gustavo não possuía antecedentes criminais, segundo as informações sobre o caso. Familiares relataram às autoridades que ele morava com a mãe e as irmãs e fazia tratamento com antidepressivos, além de acompanhamento relacionado ao uso abusivo de substâncias havia cerca de um ano.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem e dos disparos que atingiram o jovem.