Polícia
Publicado em 06/08/2026, às 06h42 Ilustrativa/Magnific Redação BNews
Dois adolescentes foram identificados como responsáveis por criar vídeos pornográficos falsos com a imagem de uma professora de 47 anos, em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia. Segundo a Polícia Civil, os conteúdos foram encontrados em uma plataforma adulta no dia 20 de julho e somavam cerca de 27 mil visualizações.
De acordo com a investigação, um dos adolescentes é aluno da vítima. O caso é apurado pela Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), que já identificou o computador utilizado na produção e publicação dos vídeos e está na fase final do inquérito.
Descoberta do caso
O caso veio à tona depois que a professora descobriu que fotografias publicadas em suas redes sociais haviam sido manipuladas com inteligência artificial para criar vídeos pornográficos, prática conhecida como deepfake sexual.
Esse tipo de conteúdo é produzido por ferramentas de inteligência artificial capazes de utilizar fotografias ou vídeos reais para criar montagens falsas de nudez ou de atos sexuais.
Nos vídeos, a professora aparece usando a camisa da escola onde trabalha. Em outra, seu rosto foi inserido em uma simulação de sexo oral. Juntos, os conteúdos já acumulavam aproximadamente 27 mil visualizações.
Em entrevista à TV Subaé, a vítima contou que, inicialmente, não acreditou quando foi alertada por estudantes sobre a existência dos vídeos.
"Eu estava no meu ambiente de trabalho e algumas pessoas me alertaram afirmando que tinha um vídeo meu em uma plataforma de pornografia. Na hora, eu nem me atentei. Depois, me deu um estalo e eu fui ver o que estava acontecendo. Na hora que eu vi, eu engasguei, faltou ar, faltou chão", disse.
A docente relatou que sentiu medo, angústia, ansiedade e indignação ao perceber que sua imagem havia sido utilizada sem autorização.
"Você não escolhe estar ali. Sua imagem foi pega, foi utilizada de um jeito que você jamais espera. Eu jamais esperaria estar aqui agora falando sobre isso, mas é necessário, porque as pessoas precisam entender que quem está naquele vídeo é, antes de tudo, uma pessoa", afirmou.
Após identificar os vídeos, a vítima registrou capturas de tela, salvou os links das publicações e procurou a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), onde registrou um boletim de ocorrência. Posteriormente, o caso foi encaminhado para a Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), diante da suspeita de envolvimento de menores de idade.
Investigação
Segundo a delegada Clécia Vasconcelos, titular da DAI e da Delegacia Especial dos Crimes contra Crianças e Adolescentes, a investigação já está na fase final e o equipamento utilizado na fraude foi identificado.
"Já foi identificado o computador no qual foi emitida essa fraude. "É bom lembrar que esses crimes virtuais são investigados e a responsabilidade criminal é apontada", afirmou.