Polícia
Publicado em 14/10/2026, às 10h53 Divulgação / MPF Tiago Di Araújo
Um prejuízo estimado em R$ 15,6 milhões aos cofres públicos colocou contratos da saúde de Nossa Senhora do Socorro, em Sergipe, no centro de uma operação da Polícia Federal (PF).
Deflagrada nesta quarta-feira (14), a Operação Dirus investiga suspeitas de desvio de recursos públicos, direcionamento de contratações e superfaturamento em serviços prestados por organizações sociais responsáveis pela gestão de unidades de saúde, incluindo um hospital de campanha criado durante a pandemia de covid-19.
A ofensiva mobiliza agentes federais e conta com a atuação do Ministério Público Federal (MPF) e da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, são cumpridos 32 mandados de busca e apreensão em cinco estados: Sergipe, Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e Paraíba.
Além das buscas, a Justiça autorizou o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 15,6 milhões, montante correspondente ao prejuízo estimado na apuração.
A investigação apura possíveis irregularidades na seleção de duas organizações sociais contratadas para administrar unidades de saúde do município sergipano. O período analisado inclui a gestão do hospital de campanha montado em 2020, durante a emergência sanitária provocada pela covid-19, e a operação de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), entre 2020 e 2026.
Segundo as informações divulgadas pelos órgãos envolvidos, há indícios de superfaturamento em serviços de limpeza, gestão e plantões médicos. A suspeita é de que tenham sido cobrados valores acima dos devidos, provocando prejuízos aos cofres públicos.
Outro ponto investigado é a subcontratação de empresas vinculadas a pessoas ligadas aos próprios gestores das organizações sociais. A apuração busca esclarecer como os contratos foram firmados, quais serviços foram efetivamente prestados e se houve irregularidades na destinação dos recursos.
Os mandados foram cumpridos em sedes das organizações sociais, empresas investigadas e residências de pessoas ligadas ao caso. A operação alcança 12 municípios.
Em Sergipe, as diligências ocorrem em Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Canindé de São Francisco. Também há alvos no Rio de Janeiro; em Barretos e Colina, em São Paulo; em Fortaleza, Aquiraz e Eusébio, no Ceará; e em Campina Grande, Serra Branca e Pedra Lavrada, na Paraíba.
A dimensão da operação busca reunir documentos e outros elementos que ajudem a esclarecer as suspeitas e a identificar a participação de cada investigado.
O inquérito teve origem em uma auditoria da Controladoria-Geral da União, que identificou indícios de superfaturamento e uso irregular de dinheiro público nos contratos analisados.
A partir dos apontamentos, a investigação avançou para apurar possíveis fraudes nos processos de contratação e na execução dos serviços de saúde. A atuação envolve a Polícia Federal, a CGU e o Ministério Público Federal, que participou da frente judicial por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado em Sergipe (Gaeco/SE).
De acordo com o Ministério Público Federal, os envolvidos poderão responder, conforme a participação de cada um, por organização criminosa, fraude em licitação, peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Somadas, as penas previstas em lei para esses crimes podem chegar a 43 anos de prisão. A responsabilização, porém, dependerá do avanço das investigações e da comprovação das condutas atribuídas a cada suspeito.
A Operação Dirus tem como objetivo reunir provas sobre as contratações, aprofundar a apuração do fluxo financeiro e esclarecer o possível desvio de recursos públicos destinados à saúde em Nossa Senhora do Socorro.