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Polícia

“Puro privilégio branco”: Escritora baiana detona delegada por tratamento com suspeito de matar ex-namorada advogada e filho de 6 anos

Bárbara Carine detona delegada após abordagem a suspeito de matar ex-namorada advogada e criança de seis anos e denuncia privilégio branco  |  Reprodução / Redes Sociais

Publicado em 06/11/2026, às 11h26   Reprodução / Redes Sociais   Tiago Di Araújo

A postura de uma delegada durante a prisão de um homem suspeito de assassinar a ex-namorada, uma advogada de 29 anos, e o filho dela, de apenas seis, provocou uma reação indignada da escritora e professora Bárbara Carine. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a intelectual criticou a maneira como a policial conversou com o investigado e apontou o que classificou como privilégio branco e masculino na atuação do Estado.

A manifestação foi compartilhada no perfil @uma_intelectual_diferentona, que reúne quase 1 milhão de seguidores no Instagram. Ao comentar as imagens da prisão, Bárbara demonstrou revolta com o tom utilizado pela delegada Mônica Gamboa durante a abordagem ao suspeito, identificado como Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos.

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"Gente, isso aqui é repugnante. Isso aqui é para estragar o começo do dia de qualquer pessoa", iniciou.

Na sequência, a escritora reproduziu, em tom de indignação, o que considerou uma postura excessivamente acolhedora da delegada diante da gravidade das acusações.

"A delegada falando com ele, parece 'nhê, nhê, nhê, nhê, combinado com a mamãe, combinado com o papai'. O desgraçado matou uma mulher, gente. Matou a ex-companheira de 29 anos, tinha a vida toda pela frente, o filho da mulher de 6 anos foi assassinado", declarou.

Bárbara também criticou as palavras utilizadas pela policial durante a conversa com o homem, que, segundo ela, teria recebido acolhimento em um momento no qual deveria responder pela gravidade do caso.

"Cometeu feminicídio, assassinou uma criança, um monstro. E tá sendo tratado 'nhê, nhê, nhê, nhê, vai ficar calma, calma, você vai ficar separado, você vai ser cuidado, sou uma mulher, eu vim aqui para sua mãe confiar em mim'", afirmou.

Bárbara Carine fala em privilégio branco e seletividade penal

A crítica da professora foi além da abordagem policial. Para ela, a maneira como o suspeito foi tratado evidencia diferenças na forma como o sistema de segurança pública lida com pessoas brancas e negras.

"Isso aqui, gente, é puro privilégio branco. Puro privilégio branco, masculino, pura seletividade penal positiva, né? É muito triste a gente viver em uma sociedade racista, patriarcal, que protege meninos brancos de mais de 40 anos o tempo todo", disparou.

Bárbara ainda classificou o atendimento dispensado ao investigado como uma demonstração de acolhimento por parte do Estado.

"O tal do empresário, que é um assassino, teve aí todo o acolhimento e o carinho do Estado", declarou.

Para sustentar a comparação, a intelectual mencionou outro vídeo que havia publicado anteriormente, envolvendo um jovem negro que, segundo ela, foi preso e humilhado. Na avaliação de Bárbara, a diferença de tratamento entre os dois episódios evidencia a desigualdade racial na atuação das instituições.

"Ao passo que mais cedo publiquei aqui um jovem negro, estudante, menino bom, que foi preso e humilhado, e sua família negra tá correndo atrás de justiça, né? Viver em um país como esse é doloroso demais", concluiu.

Caso envolve morte de advogada e criança de seis anos

O homem citado por Bárbara é Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, suspeito de matar a ex-namorada, a advogada Anna Gabriela Faria Lima, de 29, e o filho dela, Raphael Faria Lima Ferrari, de seis anos, em Cotia, na Grande São Paulo.

Os corpos das vítimas foram encontrados na noite de terça-feira (3), em uma residência no Jardim Caiapia. Mãe e filho estavam sobre uma cama de casal, lado a lado.

Após o crime, o empresário teria telefonado para um escritório de advocacia de Campinas, no interior paulista, confessado os assassinatos e informado o endereço onde estavam os corpos.

Eric foi localizado e preso na noite de quarta-feira (4). Imagens divulgadas na manhã de quinta-feira (5) mostram o momento em que policiais entram no imóvel e realizam a prisão. De acordo com a reportagem, ele não apresentou resistência durante a abordagem.

A delegada Mônica Gamboa, responsável pelo caso, explicou que, após ser levado à Delegacia de Polícia de Cotia, o cumprimento do mandado de prisão foi formalizado.

Quem é Bárbara Carine?

Bárbara Carine Soares Pinheiro é escritora, professora, palestrante e ativista brasileira. Conhecida nas redes sociais pelo perfil @uma_intelectual_diferentona, ela utiliza suas plataformas para abordar temas relacionados ao racismo, às desigualdades sociais, à educação e às questões de gênero.

Com quase 1 milhão de seguidores no Instagram, a intelectual frequentemente compartilha posicionamentos sobre acontecimentos que repercutem no país. Desta vez, a prisão do homem suspeito de matar a ex-companheira e o filho dela motivou uma crítica direta à conduta da delegada e ao tratamento oferecido pelo Estado ao investigado.

Classificação Indicativa: Livre


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