Polícia

Quem é Juninho Varão, chefe de milícia investigado por movimentação de R$ 350 milhões

Investigação da Polícia Federal aponta movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 350 milhões e apura possível ligação da milícia com agentes públicos  |  Divulgação

Publicado em 21/08/2026, às 07h35   Divulgação   Redação Bnews

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, nesta quinta-feira, a Operação Fora de Ordem contra a milícia chefiada por Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão, apontado como um dos principais chefes paramilitares da Baixada Fluminense.

A investigação identificou movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 350 milhões e apura possíveis vínculos do grupo com agentes públicos e uma eventual infiltração da organização criminosa no aparato estatal.

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Quem é Juninho Varão

Juninho Varão é apontado por autoridades de segurança como chefe da principal milícia da Baixada Fluminense. Segundo as investigações, o grupo atua desde pelo menos 2013 em bairros de Nova Iguaçu e municípios vizinhos, onde teria imposto domínio territorial por meio de intimidação e violência.

A milícia explora atividades econômicas como venda de gás e serviço de internet. O grupo também seria dividido em núcleos de comando, financeiro, operacional, territorial e político.

Quem é Juninho Varão, chefe de milícia investigado por movimentação de R$ 350 milhões
Quem é Juninho Varão, chefe de milícia investigado por movimentação de R$ 350 milhões
Quem é Juninho Varão, chefe de milícia investigado por movimentação de R$ 350 milhões
Quem é Juninho Varão, chefe de milícia investigado por movimentação de R$ 350 milhões

Varão é apontado como o “dono” de Nova Iguaçu e teria influência também em áreas de Seropédica e Paracambi. Na tentativa de ampliar o território, segundo as investigações, ele teria ordenado ataques contra milícias menores da Baixada e investidas para conquistar áreas na Zona Oeste do Rio.

Miliciano está foragido

Com cinco mandados de prisão em aberto, Juninho Varão é considerado foragido da Justiça. Ele comanda o grupo conhecido como Bonde do Varão.

Antes, o miliciano integrava a organização paramilitar comandada por Wellington da Silva Braga, o Ecko. Após a morte de Ecko, em 2021, Varão passou a atuar de forma independente.

Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), somente entre 2022 e 2023, o grupo teria movimentado cerca de R$ 10 milhões.

O dinheiro arrecadado pela milícia, de acordo com as investigações, seria utilizado na compra de armas, carros, geralmente produtos de crime e com placas clonadas, e outros materiais bélicos usados na disputa por territórios.

Na Zona Oeste da capital fluminense, há indícios de que o grupo tente conquistar áreas em Campo Grande e Santa Cruz.

Operação investiga movimentação de R$ 350 milhões

A Operação Fora de Ordem cumpre 23 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e empresariais no Rio de Janeiro e em Nova Iguaçu. Entre os locais está um imóvel de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Região Sudoeste do Rio.

A investigação identificou movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 350 milhões com base em Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).

A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros, além do sequestro e da indisponibilidade de bens.

Também é alvo da operação Vagner Mateus dos Santos, conhecido como Vaguinho Neguinho (PRD), candidato a deputado estadual, segundo a TV Globo.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa armada, extorsão e lavagem de capitais, além de outros delitos relacionados que possam surgir durante as investigações.

Assassinato de miliciano em Nova Iguaçu

Juninho Varão também é investigado pela participação na morte do miliciano Cristiano Lima de Oliveira, conhecido como Jiraya, em janeiro deste ano, no Jardim Alvorada, em Nova Iguaçu.

O crime ocorreu na Estrada das Cambucas e envolveu mais de dez homens armados com fuzis. Eles usavam roupas pretas, toucas ninja ou balaclavas e coletes balísticos.

Segundo a investigação, o grupo chegou em quatro veículos por volta das 12h30. Jiraya foi morto a tiros em plena luz do dia.

O assassinato teria sido resultado de um acordo entre Varão e Paulo Roberto Carvalho Martins, conhecido como PL, apontado como sucessor de Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, que se entregou à polícia em dezembro de 2023.

Embora disputem territórios, PL e Varão eventualmente unem esforços. Segundo a investigação, a morte de Jiraya interessava aos dois. Varão teria autorizado a execução em sua área como forma de ajuste de contas.

Informações de inteligência da polícia apontam que a vítima estaria “migrando” para o tráfico.

Classificação Indicativa: Livre


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