Polícia
Publicado em 27/08/2026, às 09h08 Reprodução / Instagram Redação Bnews
O médico urologista Samuel Ribeiro Juncal foi alvo de um mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (27), em Salvador, durante a Operação Brilho do Amanhã, ação da Polícia Civil da Bahia que investiga crimes contra crianças e adolescentes, incluindo estupro de vulnerável e produção e armazenamento de pornografia infantil. O nome do médico foi divulgado entre os alvos da operação, que cumpriu mandados de busca e apreensão e prisões em Salvador e outras cidades baianas.
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, sete pessoas foram presas nesta quinta. Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, além de prisões em flagrante durante as diligências.
Samuel Ribeiro Juncal é médico urologista e possui registro no Conselho Regional de Medicina da Bahia (CRM-BA) sob o número 24379.
Ele atua no Hospital Aliança, em Salvador, onde coordena o Serviço de Urologia da unidade. Sua formação inclui graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), concluída em 2006, além de especialização em urologia e experiências nos Estados Unidos, incluindo a University of Miami e a Wayne State University.
Entre as áreas de atuação profissional atribuídas ao médico estão urologia oncológica, cirurgia robótica urológica, infertilidade masculina e andrologia, urologia pediátrica, cálculos renais e doenças prostáticas.
Juncal também está ligado ao Instituto de Urologia Dr. Juncal, em Salvador, e já participou de eventos e seminários sobre saúde, incluindo atividades promovidas em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e a Rede D'Or.
Além da atuação profissional na área de urologia, Samuel Ribeiro Juncal dava aulas no curso de Medicina da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Segundo relato de um ex-aluno, ele ministrava aulas de urologia para estudantes do sétimo semestre. O aluno afirmou que o médico teria dado cinco aulas e posteriormente deixado de lecionar.
Samuel Ribeiro Juncal é casado com Débora Lehnen, mestre em química e fundadora da Proa Cervejaria, empresa criada em 2017 em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Os dois são sócios da empresa.
Débora é gaúcha e chegou à Bahia em 2014. Antes de criar a cervejaria, trabalhava em uma refinaria de uma petroquímica. A Proa começou a vender cervejas em junho de 2018.
Em entrevista sobre a trajetória profissional, ela contou como começou a se interessar pela produção artesanal.
“Lá no Rio Grande do Sul a cultura é muito próxima da cerveja, é algo muito bem enraizado. Eu sempre tomava pensando: 'Só tem malte, lúpulo e levedura, e tem toda essa diferença entre uma cerveja e outra'. Eu comecei a me interessar para saber quais as reações [químicas] estavam ocorrendo, o que fazia uma cerveja ser tão diferente da outra”, disse em entrevista ao g1.
Após a divulgação da prisão e da operação nesta quinta-feira, o perfil de Samuel Ribeiro Juncal no Instagram foi desativado.
A assessoria de comunicação e a defesa técnica de Samuel Juncal afirmaram que as acusações são “infundadas e caluniosas” e repudiaram qualquer vinculação do médico a condutas ilícitas.
Em nota, o médico reafirmou sua inocência e declarou que pretende colaborar com as autoridades durante a investigação.
“O profissional reafirma categoricamente a sua total inocência, o que será comprovado no decorrer da investigação.”
Segundo a defesa, Juncal vem mantendo, desde o início da investigação, uma postura de colaboração com as autoridades e com o Poder Judiciário.
“Desde o início da investigação, o médico vem mantendo uma postura de colaboração irrestrita e transparente com as autoridades e com o Poder Judiciário para que a verdade seja restabelecida com a máxima celeridade.”
A defesa também afirmou que o procedimento tramita sob segredo de justiça para preservar a intimidade e a integridade dos menores.
“Ressalta-se que o procedimento tramita sob estrito segredo de justiça para resguardar a intimidade e a integridade de menores, de modo que a espetacularização e o vazamento de informações afrontam diretamente as garantias legais previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).”
Os advogados classificaram a busca e apreensão realizada nesta quinta-feira como “desnecessária e desproporcional” e afirmaram que o médico teria se colocado à disposição das autoridades policiais.
A defesa também informou que, nos dias 12, 17 e 20 de agosto, foram indicadas à Delegacia de Polícia testemunhas que, segundo os advogados, podem atestar a inocência do médico. Ainda conforme a nota, mensagens do celular de Juncal e de familiares foram preservadas e seriam utilizadas para contestar a acusação.
“Nesse sentido, nos dias 12, 17 e 20 de agosto, foram indicadas à Delegacia de Polícia testemunhas que podem atestar a sua inocência, além de terem sido preservadas as mensagens de celular do médico e de sua família, conteúdo que provará a falsidade da acusação que desencadeou a descabida operação policial.”
A Operação Brilho do Amanhã teve início em 24 de agosto e tem ciclo operacional previsto até esta sexta-feira (28). Nesta quinta, foram realizadas diligências em Salvador, Lauro de Freitas, Itagi e Seabra.
De acordo com a Polícia Civil da Bahia, um dos investigados, de 24 anos, é suspeito de estupro de vulnerável, produção de conteúdo e armazenamento de pornografia infantil. As investigações apontam que pelo menos três vítimas teriam sido abusadas pelo suspeito, que teria se aproveitado de um vínculo de parentesco.
Outro investigado é um servidor público aposentado e policial militar da reserva, suspeito de abusos contra cinco familiares. Ele foi encaminhado ao Batalhão de Choque, onde está custodiado.
Durante a operação, celulares e HDs externos foram apreendidos. Os equipamentos serão analisados para identificar possíveis registros de crimes, outras vítimas e eventual participação de outros envolvidos.
A ação é coordenada pelo Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV) e reúne diferentes unidades da Polícia Civil da Bahia, além da Polícia Militar da Bahia, do Departamento de Polícia Técnica (DPT) e da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP).