Polícia
Publicado em 29/10/2026, às 12h05 Reprodução/Record Redação BNews
Dois sobrinhos de Marcinho VP, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV) e pai do rapper Oruam, foram presos nesta quinta-feira (29), suspeitos de atuar como intermediários na comunicação entre o traficante e integrantes da facção que estão em liberdade.
A prisão ocorreu durante a Operação Cesura, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), que busca esclarecer como o criminoso, custodiado há 19 anos em uma penitenciária federal de segurança máxima em Campo Grande (MS), continuaria recebendo informações e transmitindo orientações para integrantes do grupo.
A Justiça Federal autorizou dois mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão, cumpridos em Belford Roxo e no Rio de Janeiro. Também foi decretada a prisão preventiva de Marcinho VP. A ordem foi cumprida na unidade prisional onde ele já está detido.
De acordo com o Ministério Público Federal, a investigação identificou indícios de que visitantes usavam encontros no parlatório da penitenciária para levar mensagens de integrantes da cúpula do Comando Vermelho que permanecem fora do sistema prisional.
Um dos casos investigados aconteceu em janeiro de 2025. Na ocasião, um dos suspeitos teria se reunido com uma liderança da facção no Rio de Janeiro e viajado, no dia seguinte, para Campo Grande, onde visitou Marcinho VP. Depois do encontro, ele teria retornado ao Rio para prestar contas sobre a mensagem transmitida.
Segundo as apurações, a dinâmica se repetiu em outras ocasiões até agosto de 2026. Registros de mensagens também indicariam que integrantes da organização continuavam reconhecendo o traficante como uma liderança ativa, mesmo com ele preso.
A nova fase de investigação ocorre após a prisão de Márcia Gama, mulher de Marcinho VP, e de Lucas Santos Nepomuceno, filho do casal e irmão do cantor MC Oruam. Os dois foram presos neste mês durante a Operação Backbone, que apura a atuação do Comando Vermelho em um esquema de controle do fornecimento de internet em comunidades do Rio de Janeiro.
Márcia é investigada por suspeita de atuar na comunicação entre integrantes da facção presos e pessoas em liberdade. Lucas, conhecido como Lucca, é suspeito de administrar recursos financeiros que teriam ligação com a lavagem de dinheiro do grupo.