Polícia
Publicado em 22/10/2026, às 12h37 - Atualizado às 13h26 Reprodução/Redes Sociais Gabriel Dinis
A Polícia Civil e a Polícia Federal investigam o furto de uma remessa de placas de vídeo avaliada em cerca de R$ 2,5 milhões ocorrido no final de setembro no Terminal de Cargas (TECA) do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A mercadoria, liberada pela Receita Federal em 25 de setembro, pertencia ao Grupo Oderço, distribuidora paranaense com sede em Maringá, e teve seu desvio revelado após os componentes começarem a ser anunciados ilegalmente na internet nas últimas semanas.
O lote era composto por dois pallets de aceleradores gráficos de última geração, modelos GeForce RTX 5090, da fabricante Zotac. Os componentes são voltados para computação de alto desempenho, inteligência artificial e jogos de alta precisão gráfica.
A carga havia desembarcado dos Estados Unidos e já contava com a regularização concluída perante a Receita Federal. No entanto, no momento em que a transportadora contratada compareceu para a retirada, os produtos haviam sumido do armazém.
A apuração conduzida pelas autoridades policiais e pela segurança aeroportuária descartou a hipótese de um simples extravio logístico. O cruzamento das imagens do circuito interno de monitoramento com os registros digitais de fluxo revelou uma operação criminosa articulada a partir de dentro do próprio terminal de cargas.
O desvio teve início na área restrita de armazenagem, onde dois operadores de empilhadeira terceirizados retiraram os dois pallets de suas posições originais e os transportaram diretamente até o pátio externo de manobras. Para viabilizar a saída sem acionar os alertas de fiscalização, um conferente fraudou o sistema eletrônico de controle, dando baixa manual no lote como se a mercadoria estivesse devidamente liberada. Com os bloqueios de segurança desarmados no sistema, as caixas foram acomodadas na carroceria de um caminhão e deixaram o complexo aeroportuário sem passar por qualquer inspeção adicional.
Diante da falta de respostas e da demora na solução do sumiço, o presidente e fundador da distribuidora, Oderço Matos, decidiu expor a falha de segurança em um vídeo publicado no Instagram. No registro, o executivo cobrou explicações públicas e rigor na apuração por parte da concessionária aeroportuária.
"Nossa empresa tem mais de 38 anos de história no mercado e atua na importação direta desde 2008. Nunca vivenciamos algo semelhante. Dois pallets não somem sozinhos dentro de um dos maiores aeroportos da América Latina", enfatizou Matos no pronunciamento.
O empresário pontuou que a perda não atinge apenas o patrimônio financeiro da distribuidora, mas desestrutura compromissos comerciais firmados com parceiros e revendedores em todo o país.
As investigações sobre o caso ganharam atualizações quando peças pertencentes ao lote furtado começaram a aparecer em sites de compra e venda na internet. Anúncios em plataformas como a OLX estavam ofertando a placa gráfica por quantias em torno de R$ 32 mil a unidade.
A polícia confirmou que os números de série e lotes de fabricação dos anúncios batiam com os registros dos eletrônicos desviados em Guarulhos.
Em nota, a GRU Airport, administradora do Aeroporto Internacional de Guarulhos, confirmou o registro da ocorrência e afirmou que está tomando todas as medidas cabíveis para a apuração do caso.
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