Polícia

Traficantes faziam até velório em presídio de Eunápolis; Seap não se pronuncia

Investigações mostram que detentos ligados a facções criminosas tinham diversas regalias em Presídio de Eunápolis  |  Hildazio Santana - Nucom/Seap

Publicado em 24/04/2026, às 22h59   Hildazio Santana - Nucom/Seap   Redação Bnews

As investigações sobre a fuga em massa no Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, revelaram um cenário de privilégios dentro da unidade. Detentos ligados ao grupo criminoso tinham acesso a regalias como eletrodomésticos, circulação livre e até as chaves das próprias celas. Em um dos episódios mais inusitados, foi realizado o velório da avó de um preso dentro do presídio, com a presença do corpo em caixão. As informações são da Folha de São Paulo.

Os fatos são apurados em uma ação penal ligada à Operação Duas Rosas, conduzida pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), que investiga a relação entre integrantes da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) e agentes públicos. A organização criminosa tem ligação com o Comando Vermelho. Segudo a Folha de São Paulo, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) não se manifestou sobre os fatos revelados pela investigação.

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O ex-deputado federal Uldurico Júnior foi preso sob suspeita de ter facilitado a fuga de detentos em troca de R$ 2 milhões. Segundo as investigações, a intermediação ocorreria por meio da então diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, que teria sido indicada ao cargo pelo ex-parlamentar. A defesa nega as acusações e afirma que se trata de “perseguição política”.

Joneuma esteve à frente da unidade entre março e dezembro de 2024, sendo afastada após a fuga de 16 presos. Ela foi presa em janeiro de 2025, suspeita de participação no esquema. Entre os fugitivos estava Ednaldo Pereira de Souza, apontado como líder do PCE. As investigações indicam que ele se reuniu com Uldurico dentro do presídio.

Além das regalias, a ex-diretora autorizou situações incomuns, como o velório dentro da unidade. Em depoimento, afirmou que permitiu a entrada do caixão por considerar a medida humanitária. Também admitiu ter conhecimento prévio do plano de fuga, inicialmente previsto para o fim de 2024, mas antecipado pelos presos.

A fuga ocorreu após os detentos escavarem o teto de celas com o uso de ferramentas, mesmo após alertas de servidores sobre barulhos suspeitos. Após escapar, Dada teria se refugiado no Rio de Janeiro, onde foi alvo de operação policial, conseguindo fugir novamente. Segundo o MP-BA, o nome “Duas Rosas” faz referência ao código usado pelo grupo para tratar de propina em conversas interceptadas.

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