Polícia
Publicado em 04/08/2026, às 17h32 Divulgação / PC-MS Cauan Borges
A morte de uma adolescente de 13 anos, registrada no último dia 22 de julho, desencadeou uma operação conjunta das polícias civis de cinco estados brasileiros nesta terça-feira (4). As investigações apontam que a menina foi coagida, ameaçada e incentivada por integrantes de um grupo que atuava por meio da plataforma Discord.
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Segundo a Polícia Civil, a jovem sofreu uma sequência de violências psicológicas antes de morrer. O momento mais crítico ocorreu quando a vítima transmitiu uma live de aproximadamente 45 minutos enquanto praticava automutilação sob incentivo dos participantes do grupo.
De acordo com o coordenador do Ciberlab, delegado Alessandro Barreto, os investigados teriam determinado que a adolescente matasse um animal como parte de uma "missão". Após a recusa, a adolescente passou a ser pressionada a escrever uma carta de despedida e a tirar a própria vida.
A menina foi encontrada sem vida pela mãe na varanda da residência da família, em Naviraí, no Mato Grosso do Sul. As investigações revelam ainda que, após a morte da garota, integrantes do grupo teriam criado uma enquete na plataforma, e perguntaram aos usuários se gostariam de assistir a novos conteúdos semelhantes.
Durante coletiva de imprensa, o delegado Alessandro Barreto afirmou que, mesmo após 25 anos de atuação na área policial, ficou impactado com a crueldade do caso.
Segundo o oficial , os investigados não apenas assistiram à transmissão ao vivo, como também incentivaram a adolescente a continuar com os atos de automutilação até sua morte. O grupo responde por suspeitas de indução, instigação, constrangimento e ameaças contra a vítima.
Assista:
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou, nesta terça-feira (4), uma operação contra suspeitos de induzir uma menina de 13 anos ao suicídio durante uma "live" transmitida em rede social.
— GloboNews (@GloboNews) August 4, 2026
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Batizada de Operação Lívia, a ação foi deflagrada simultaneamente nos estados de Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Foram cumpridos um mandado de prisão preventiva, cinco mandados de internação de adolescentes e seis mandados de busca e apreensão.
Até a atualização mais recente, quatro dos cinco adolescentes alvos das ordens de internação já haviam sido apreendidos.
Ao comentar a Operação Lívia e a Operação Rede Interrompida, que investiga um grupo suspeito de planejar ataques em Brasília durante as eleições de 2026, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou a importância das recentes mudanças na legislação voltadas ao combate aos crimes praticados no ambiente digital.
Segundo o ministro, decretos publicados neste ano fortaleceram instrumentos como o ECA Digital, atualizaram diretrizes relacionadas ao Marco Civil da Internet e ampliaram medidas de proteção para mulheres e crianças no ambiente virtual, oferecendo mais respaldo às forças de segurança na investigação desse tipo de crime.
Por isso, a importância fundamental de valorizarmos essa legislação. Estou falando, particularmente, do Decreto nº 12.880, de 18 de março de 2026, e dos Decretos nº 12.975 e nº 12.976, que tratam, respectivamente, do Eca Digital, do Marco Civil, e diretrizes para a proteção de mulheres na internet”, afirmou Lima e Silva.
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