Polícia
Publicado em 11/09/2026, às 09h41 Reprodução/Redes Sociais Redação BNews
Três policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) pelas mortes de Mateus Daniel Chagas da Silva e do adolescente Kaique Reis Santos, de 16 anos, em São Marcos, em Salvador. O caso aconteceu em 28 de setembro de 2025.
Segundo a denúncia apresentada nesta quinta-feira (10) por integrantes do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), as vítimas não trocaram tiros com os agentes, como a própria polícia relatou.
Os agentes Jamile Maiara Reis dos Santos, Arailton Climerio Ferreira Junior e Tiago Costa Oliveira são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas e com emprego de arma de fogo de uso restrito. O MP também pediu que as prisões temporárias sejam convertidas em preventivas.
Segundo a denúncia, a versão apresentada pelos policiais de que houve confronto durante a abordagem não foi sustentada pelos elementos reunidos na investigação.
Laudos periciais e depoimentos indicariam que Mateus e Kaique não fizeram disparos e que não foram identificados indícios de uma troca de tiros no local.
Ainda conforme o MPBA, Kaique havia saído de casa para comprar pão e passava próximo a um campo onde acontecia uma partida de futebol quando foi abordado. Ao perceber a presença dos policiais armados, o adolescente teria levantado as mãos e ficado de costas, indicando que estava rendido.
A acusação diz que, mesmo assim, ele foi atingido por três disparos. Um deles acertou a perna do adolescente enquanto ele tentava correr. Os outros dois teriam sido efetuados depois, quando Kaique já estava ferido e havia chegado a um beco.
O Ministério Público afirma ainda que os dois jovens já estavam mortos quando foram retirados do local e levados para uma unidade hospitalar.
De acordo com a denúncia, Kaique teria sido colocado na viatura com um pano cobrindo o rosto. Durante o transporte, segundo o MPBA, a cabeça do adolescente teria batido em uma escada antes de ele ser acomodado no veículo.
Para o Ministério Público, as circunstâncias apontadas na investigação caracterizam uma execução sumária.
Agora, a Justiça deverá analisar a denúncia e decidir sobre o pedido de prisão preventiva dos três policiais, além do prosseguimento da ação penal e da solicitação para que o caso seja levado ao Tribunal do Júri.