Polícia
Publicado em 14/09/2026, às 18h00 Divulgação / MP-BA Cauan Borges
O Ministério Público da Bahia (MPBA) denunciou 13 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa apontada como "ultraviolenta" e com atuação em cidades turísticas do extremo sul do estado, como Trancoso, Arraial d’Ajuda e Porto Seguro
A denúncia foi apresentada nesta segunda-feira (14) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco Sul), como resultado das investigações da Operação Costa Limpa.
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Segundo o MPBA, o grupo teria estabelecido uma estrutura própria para controlar pontos de venda de drogas, arrecadar dinheiro, transportar armamentos e impor regras dentro dos territórios onde atuava. Entre os mecanismos utilizados estaria o chamado “tribunal do crime”, utilizado para aplicar punições e intimidar pessoas.
Os denunciados podem responder, de acordo com a participação atribuída a cada um, por crimes como organização criminosa ultraviolenta, tráfico de drogas, lavagem de capitais e favorecimento ao domínio social estruturado.
As investigações foram conduzidas pelo Gaeco Sul em conjunto com a 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (23ª Coorpin), sediada em Eunápolis. Conforme a apuração, a organização era comandada por José Venâncio Farias dos Santos, conhecido como “Cadu” ou “Du Love”.
A estrutura, segundo o MPBA, era dividida em diferentes setores, com integrantes responsáveis pelo comando, operações, finanças e suporte logístico. O grupo teria mantido ainda uma rede de distribuição de entorpecentes por meio de entregas, além de mecanismos para movimentar e ocultar recursos provenientes do tráfico.
A investigação também identificou negociações para a compra de armas, incluindo fuzis e outros armamentos considerados de alto poder ofensivo. Integrantes seriam responsáveis pelo transporte e armazenamento tanto das drogas quanto das armas utilizadas pela organização.
Para o MPBA, a violência fazia parte do próprio funcionamento do grupo e não ocorria de maneira isolada. As apurações apontam que a organização recrutava integrantes, estabelecia punições internas, intimidava grupos rivais e mantinha uma estrutura permanente para garantir a continuidade das atividades criminosas.
Entre as provas reunidas durante a apuração estão relatórios de inteligência, análises financeiras, dados obtidos a partir de aparelhos celulares, movimentações bancárias, registros relacionados ao tráfico, negociações envolvendo armas e comunicações entre os investigados.
A denúncia descreve funções específicas desempenhadas pelos 13 acusados dentro da organização. José Venâncio Farias dos Santos, o “Cadu” ou “Du Love”, é apontado como líder do grupo.
O chamado núcleo operacional seria composto por Thierry Santos Sena, Ivanildo Sousa Rocha Neto, Felipe Silva do Nascimento, Everton Valiense Xavier e Almir Gabriel Santos Cabral. De acordo com a acusação, eles atuavam na distribuição de drogas, realização de entregas, arrecadação de valores, logística e transporte de armamentos.
Já o núcleo financeiro seria formado por Francelino Juneo Pereira Ramos, Sérgio Tadeu Félix Lombardo, Rafaela de Jesus dos Santos, Ana Rodrigues dos Santos Neta e Bruno Santos Costa. O MPBA atribui aos indivíduos atividades relacionadas à arrecadação, movimentação, ocultação e circulação de dinheiro obtido com o tráfico.
Maiane da Conceição Profeta e Caliane Silva Santos foram apontadas como integrantes do núcleo de apoio e suporte operacional. Conforme a denúncia, as duas teriam participado da distribuição de entorpecentes, do armazenamento de drogas e da manutenção da estrutura logística utilizada pelo grupo.
A denúncia é um desdobramento da Operação Costa Limpa, que investigou a atuação da organização criminosa e sua estrutura nos municípios do extremo sul baiano.
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