Polícia
Publicado em 13/04/2026, às 03h00 Arquivo Pessoal Redação Bnews
Esta segunda-feira, 13 de abril, marca um ano da morte do delegado da Polícia Civil da Bahia, José Magalhães Filho. Aos 80 anos, ele morreu em casa, no Itaigara, em Salvador, cenário discreto para o fim de uma trajetória que atravessou décadas de enfrentamento direto ao crime na Bahia. Ele era casado com Ivonete Lopes Oliveira, com quem teve um filho, José Neto.
Conhecido como “Delegado Bigodão”, apelido que virou marca, Magalhães construiu reputação de linha dura num período em que a exposição policial ainda não tinha o alcance de hoje. Não era só a imagem, o bigode espesso, sempre lembrado, mas o estilo: direto, pouco afeito a rodeios, e uma presença que impunha respeito dentro e fora das delegacias.
Carreira que ultrapassou a polícia
A vida profissional não se limitou à investigação. Nascido na cidade pernambucana de Parnamirim, ele se radicou na Bahia. No estado baiano, foi eleito deputado estadual em 1994. No ano seguinte, ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa entre 1995 e 1999, pelo PTB, período em que chegou a liderar a legenda.
Antes e depois da política, manteve vínculos com o serviço público. Passou pela Polinter, atuou como assessor jurídico no antigo Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, ainda no fim dos anos 1960, e também teve passagem pela Companhia de Energia Elétrica de Pernambuco. Um percurso menos lembrado, mas que ajuda a dimensionar a amplitude da atuação.
Últimos meses e rotina silenciosa
Nos meses finais, já com a saúde fragilizada, a rotina desacelerou. Em casa, cercado pela família, mantinha um hábito curioso: ouvia diariamente uma coletânea com 36 músicas de Luiz Gonzaga. O CD havia sido montado por um amigo próximo, o apresentador Zé Eduardo, o Bocão, gesto simples que virou companhia constante até os últimos dias.
A morte veio de forma reservada, sem hospitalização, no ambiente familiar.
Nome que atravessa gerações
Para muita gente, o primeiro contato com o nome de Magalhães veio por histórias, algumas contadas em rodas informais, outras já incorporadas ao imaginário policial da Bahia. Foram mais de 40 anos de atuação, período suficiente para que episódios e decisões se espalhassem de boca em boca, criando uma espécie de folclore em torno da figura.
Dentro de casa, a despedida coincidiu com um recomeço. Pouco depois da morte, nasceu um neto que recebeu o mesmo nome do avô, fruto do casamento de José Neto e Rafaela R. Magalhães. Ao BNEWS, ela afirmou que o delegado ficará na memória de quem o conheceu como exemplo de retidão, caráter e honestidade.
Um ano depois, o silêncio contrasta com a intensidade de uma trajetória que dificilmente passou despercebida. O apelido ficou. E, para quem acompanhou de perto, ou mesmo de longe, a lembrança também.