Polícia

Veja o que se sabe sobre a operação que resultou na condenação de sargento por chefiar milícia privada armada no oeste baiano

Sargento da reserva foi condenado por formação de milícia armada  |  Divulgação | MPBA

Publicado em 06/08/2026, às 07h48 - Atualizado às 07h53   Divulgação | MPBA   Redação Bnews

As diligências da Operação Terra Justa, que investiga um grupo miliciano armado - que atua há mais de dez anos no oeste da Bahia - tiveram novos desdobramentos. Desta vez, o líder do grupo criminoso, identificado como Carlos Erlani Gonçalves Santos, policial militar da reserva, foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão por formação e manutenção de milícia privada armada que atuava na região de Correntina.

As primeiras diligências da ação foram realizadas em abril de 2025, quando o  Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público da Bahia cumpriu mandados de  busca e apreensão contra alvos do bando. Na época, o órgão informou que os suspeitos estavam envolvidos em atos de intimidação e violência em conflitos fundiários na região. 

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Armas e aparelhos eletrônicos foram apreendidos durante o cumprimento das ordens judiciais em Correntina e Jaborandi."Conforme as apurações, o grupo agia por meio de empresa de fachada com registro de segurança privada – sem autorização legal da Polícia Federal – para prestar serviços a grandes fazendeiros da região, praticando ameaças, lesões corporais e grilagem de terras contra comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto, expulsando famílias posseiras e povos tradicionais de suas terras", detalhou o MP na época.

Tenente-coronel alvo de nova fase 

Em setembro de 2025, o MP deflagrou a segunda fase da Operação que teve como alvo a casa de um tenente-coronel da Polícia Militar. No dia da ação, ele foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo sem registro. No total, foram cumpridos seis mandados de busca e dois de prisão preventiva nos municípios de Correntina, Santa Maria da Vitória e Salvador.

"O oficial de alta patente recebia vantagens indevidas para encobrir ações criminosas do grupo miliciano que, por mais de dez anos, invadiu, com uso de violência, terras de comunidades tradicionais da região de Correntina em favor de fazendeiros locais", revelou o MP.

Ainda segundo o órgão, o tenente-coronel  teria recebido, entre 2021 e 2024, pagamentos mensais de R$ 15 mil realizados pelo líder da milícia, que trata-se do sargento da reserva remunerada da PM.

Acusado de chefiar grupo preso outra vez

No dia 23 de dezembro de 2025, o sargento da reserva Carlos Erlani teve uma nova ordem de prisão preventiva cumprida após decisão do Tribunal de Justiça da Bahia, que acolheu recurso do MPBA, suspendendo a liberdade concedida anteriormente. 

O Ministério Público do Estado da Bahia sustentou que a decisão de soltura ignorou a gravidade concreta das condutas e a periculosidade do agente, apontado como líder de uma milícia armada com atuação estável e permanente. O recurso destacou que a liberdade do acusado representa risco à ordem pública, à instrução criminal e à segurança das vítimas e testemunhas, além da possibilidade de rearticulação do grupo criminoso.

Condenação do sargento

Já na terça-feira, 4 de agosto de 2026,  Carlos Erlani Gonçalves Santos foi condenado, assim como  José Carlos Alves dos Santos, também, integrante do grupo, que recebeu pena de cinco anos e quatro meses de reclusão. Segundo o Ministério Público, os dois cumprirão a sentença inicialmente em regime semiaberto. Ainda cabe recurso e os condenados responderão em liberdade até o final do processo.  

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