Polícia
Publicado em 18/09/2026, às 19h59 - Atualizado às 20h59 Freepik Analu Teixeira
A violência é apontada como o principal problema enfrentado pelo Brasil por 28% dos brasileiros, segundo a Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia, realizada pela Quaest em parceria com a Pax e divulgada nesta sexta-feira (18). O tema aparece à frente de corrupção, economia e saúde entre as principais preocupações citadas pelos entrevistados.
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O levantamento foi realizado entre os dias 12 e 15 de setembro, com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais entrevistados presencialmente. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A percepção sobre o problema varia conforme o perfil dos entrevistados, entre as mulheres, 29% apontaram a violência como principal problema do país, contra 25% entre os homens. Nas faixas de 16 a 34 anos e de 35 a 59 anos, o índice foi de 26%. Entre pessoas com 60 anos ou mais, chegou a 38%.
Também há diferenças regionais, a violência foi citada por 35% dos entrevistados do Nordeste, 29% no Norte, 25% no Sudeste, 23% no Sul e 18% no Centro-Oeste.
Na lista geral, a corrupção aparece em segundo lugar, com 22%, seguida por economia (19%), saúde (15%), desemprego (5%), educação (5%), infraestrutura (1%), outros problemas (2%) e não sabe/não respondeu (4%).
Percepção de aumento da violência
A pesquisa também investigou como os brasileiros avaliam a situação da violência nos últimos dois anos. Para 70%, o problema aumentou muito no período. Outros 9% afirmaram que houve aumento, mas pouco. Já 15% consideram que o cenário permaneceu igual.
Apenas 5% identificaram algum tipo de redução: 4% disseram que a violência diminuiu pouco e 1% apontou uma diminuição significativa.
A percepção de aumento é maior entre as mulheres. Enquanto 76% delas afirmaram que a violência aumentou muito, o índice entre os homens foi de 63%.
Entre os entrevistados que perceberam aumento da violência, 73% associam o cenário tanto ao crescimento da quantidade de crimes quanto ao fato de os delitos terem se tornado mais violentos. Outros 14% apontaram apenas o aumento no número de crimes, enquanto 12% consideraram somente que os delitos ficaram mais violentos.
A avaliação sobre a punição aos criminosos também aparece no levantamento. Para 67% dos entrevistados, as punições ficaram menores nos últimos anos. Outros 22% avaliam que elas aumentaram, enquanto 11% não souberam ou não responderam.
A pesquisa também mediu a percepção dos brasileiros sobre o trabalho de diferentes instituições na área de segurança pública. As polícias aparecem com avaliações positivas superiores às registradas para governos e Judiciário.
A Polícia Militar do estado onde o entrevistado mora recebeu avaliação positiva de 45%, seguida pela Polícia Federal, com 44%, e pela Polícia Civil do estado, com 41%. A Prefeitura da cidade teve 39% de avaliação positiva, enquanto o governo estadual ficou com 34%.
Na sequência aparecem o Governo Federal, com 26%, e o Judiciário/Justiça, com 23%.
Entre as atividades desempenhadas pelas polícias, a captura de foragidos da Justiça foi apontada como a área com maior avaliação positiva, com 38%. Investigação e esclarecimento de crimes, patrulhamento e prevenção nas ruas e identificação e abordagem de suspeitos aparecem com 36% cada.
Por outro lado, o combate às facções criminosas teve 43% de avaliação negativa, contra 27% positiva. O combate ao feminicídio e à violência contra a mulher também registrou avaliação negativa superior à positiva, com 39% contra 32%.
A pesquisa ainda avaliou a percepção dos brasileiros sobre o uso de tecnologia na segurança pública. Segundo Guilherme Russo, diretor de Inteligência em Opinião da Quaest, os resultados indicam preocupação com a segurança e receptividade ao uso de novas ferramentas no enfrentamento da criminalidade.