Política
Publicado em 09/02/2015, às 06h16 Gilberto Jr. Lucas Esteves, de Brasília (Twitter: @lucasesteves)
O final da CPMI da Petrobras no ano passado deixou claro que a impossibilidade de ter acesso aos autos da Operação Lava Jato e às delações premiadas de acusados prejudicou o andamento das investigações dos parlamentares. Como todo este processo ainda não chegou ao fim, a possibilidade da nova comissão ficar presa nos mesmos impasses é muito grande, segundo o deputado federal Afonso Florence (PT-BA).
A avaliação do petista é de que a CPI será mais uma oportunidade de exercitar a disputa política dentro do Congresso, uma vez que ainda não há provas de suspeitas levantadas ao longo do tempo. Isto ocorre porque os congressistas estão à mercê dos limites impostos pela investigação.
“Estamos em compasso de espera por conta da Lava Jato. Os rumos da CPMI evidenciaram que a delação que o Congresso não dispõe traz limites. No futuro, [o Parlamento] vai ter que aperfeiçoar o dispositivo da delação premiada para evitar que situações assim voltem a acontecer”, explicou.
Florence deu o exemplo da confecção do relatório final das investigações. Na ocasião, houve 52 pedidos de indiciamento – sendo 23 pessoas que já respondem na Lava Jato -, mas com limitações impostas pela falta de provas. O deputado lembrou que a oposição, que também partilhou da mesma alegada escassez de dados, produziu um relatório alternativo indicando diversos indiciamentos, mas se recusou a convocar o presidente do PSDB, Aécio Neves, para depor.
O PMDB terá direito a 11 vagas na comissão, enquanto o PT contará com oito. Mas até o início da semana que vem não será possível debater quem ocupará as cadeiras entre os petistas de acordo com Florence. Também está ainda em suspenso a disputa por presidência da comissão e relatoria.
Enquanto isto, a Oposição avança também no Senado em busca de 27 assinaturas para criar uma nova CPI Mista. Até o momento, os adversários do Governo alegam ter 19 nomes e, para atingir o número mínimo, contam com colegas da base para que repitam o que fizeram ano passado e viabilizem a nova comissão mesmo a contragosto do Planalto.
Publicada no dia 8 de fevereiro de 2015, às 12h29