Política
Publicado em 15/05/2011, às 08h50 Rafael Albuquerque
Completa 10 anos nesta segunda-feira (16) a fatídica invasão do prédio da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba), quando na oportunidade policias agrediram estudantes e professores que protestavam pela cassação do então senador Antonio Carlos Magalhães. Na invasão, 19 pessoas ficaram feridas quando policiais militares, à revelia da lei, realizaram a invasão. O episódio virou símbolo da “erosão de poder” do carlismo na Bahia, afirma o cientista político Paulo Fábio Dantas.
Como representação límpida da impunidade, o processo judicial conta o coronel Walter Leite, comandante da operação, resultou em uma multa de R$ 65,15. Ele foi condenado pela Justiça Federal – não pelas agressões, mas apenas por crime de menor poder ofensivo: cerceamento do poder de ir e vir. Ele sequer lembra o valor da multa que foi obrigado a pagar. “Acho que foi de R$ 500”, disse. O jornal A Tarde apurou que a multa foi de R$ 65,15, segundo o capitão Marcelo Pitta, chefe da comunicação social da PM.
Segundo Paulo Fábio, ACM já estava perdendo espaço político no País desde o início do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, mas, na Bahia, até então ele experimentava uma sensação de poder maior até que o poder efetivo que tinha. “Aquele momento foi quando até os simpatizantes de ACM tomaram conhecimento das denúncias contra ele”, disse.
A estrutura do poder na Bahia não mudou completamente; se rearrumou. Prova disso é que hoje o vice-governador é Otto Alencar – o mesmo que, há dez anos, era vice-governador do também ex-carlista César Borges, que autourizou a ação da polícia. Otto hoje comenta o caso: “Considero um erro de César Borges ter atendido ao senador ao dar a ordem de impedir o direito de ir e vir de estudantes em pleno regime democrático”. Por meio de sua secretária, Borges mandou dizer que não iria comentar a invasão.
Outra situação curiosa é o fato de o comandante-geral da Polícia Militar do governo de Jaques Wagner (PT) ser o coronel Alfredo Castro. Em 16 de maio de 2001, ele, que era major, executou a ação do Batalhão de Choque – do qual era comandante – na Ufba. Castro é flagrado, no documentário “Choque”, de Kau Rocha, agredindo um estudante. A PM explicou que “o então major Alfredo Castro e sua tropa cumpriram as determinações do planejamento da ação policial". À época da invasão, o prefeito era Antônio Imbassahy. O atual deputado ACM Neto (DEM) era estudante de Direito da Universidade, mas certamente foi avisado sobre a invasão e não apareceu na instituição para "protestar".
Para lembrar os dez anos da invasão à Ufba, diversas atividades estão marcadas para esta segunda-feira (16) na Faculdade de Direito. Serão realizadas mesas-redondas, exposição de fotos e lançamento de livro. Paulo Fábio salienta que o episódio é exemplo prático da diferença de conceitos entre violência e poder. “Os atos violentos daquele dia não revelam a consolidação do poder, mas uma manifestação de enfraquecimento dele”.
Informações do A Tarde