Política

Direto de Brasília: no dia D, Bocão News faz balanço do processo de impeachment

Publicado em 17/04/2016, às 10h19   Reprodução   Luiz Fernando Lima (Twitter: @limaluizf)

A decisão sobre a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) será iniciada a partir das 14 horas deste domingo (17). O dia é tratado como histórico, embora em caso de aprovação, o caminho do relatório será o Senado e por lá há uma tramitação que terá vida própria.
Desde segunda-feira (11), quando a comissão especial aprovou o relatório do deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO), o ambiente político em Brasília sofreu diversas oscilações. Ainda existe na Câmara uma tendência majoritária pró-impeachment. Dificilmente seria diferente, até porque, a maioria dos deputados votará pelo afastamento da presidente Dilma.
O problema é que a maioria não é suficiente neste caso. Como de conhecimento público, à esta altura, a constituição exige que 2/3 dos parlamentares votem favoravelmente, ou seja, são necessários 342 votos. O número é grande, mas a oposição à petista chega confiante de que terá mais de 360 votos em plenário.
Por outro lado, o Palácio da Alvorada não dorme há, pelo menos, três noites e amanheceu neste domingo (17) confiante de que não haverá votos suficientes para remeter o processo ao Senado. Na contabilidade do “time de Dilma”, 186 deputados votaram pelo não, se absterão, ou não virão votar.
O resultado, no entanto, pode ser diferente dos prognósticos devido ao efeito manada. Se um grupo perceber que não terá chance de vitória a tendencia é que mudem o voto. A ordem de votação é determinante para isso.
Ruas
A votação nominal só começará, nas previsões do presidente da Eduardo Cunha (PMDB), a partir das 16 horas. A sessão será iniciada às 14h com o deputado federal Jovair Arantes comentando o relatório.
Contudo, desde às 7h30, os movimentos pró-impeachment e contra estão nas ruas de Brasília. A expectativa do departamento de polícia legislativa estima que 300 mil pessoas estejam nas ruas do Distrito Federal.
A preocupação é, obviamente, evitar incidentes e confusões generalizadas.
Negociações
Ainda na manhã deste domingo existem deputados negociando os votos. Não necessariamente, diferente do que se imagina, a conta é paga em moeda. Arranjos políticos eleitorais estão na lista de interesses, espaços no atual e num futuro governo. Como confidenciou um deputado baiano à reportagem do Bocão News: o que motiva político é voto.
Baianos em destaque
Líderes de dois dos principais partidos, Afonso Florence (PT) e Antônio Imbassahy (PSDB), estiveram a todo instante nos holofotes defendendo as posições opostas. Florence se mostrou confiante no final da noite de ontem quando estava convicto de que o clima nas ruas havia virado em favor do governo.
Já o deputado tucano, também na noite que antecedeu o dia da votação, declarou que não restam dúvidas sobre a vitória acachapante “em favor do povo brasileiro”. Imbassahy estava entusiasmado com os números apresentados pelos líderes de partidos alinhados ao impedimento da Dilma.
Do mesmo lado de Imbassahy, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB), foi um dos parlamentares que mais trabalharam nos bastidores. Próximo a Cunha e ao vice-presidente Michel Temer, Lúcio desde o início do governo faz oposição a Dilma e com desenvoltura circulou nos bastidores da Câmara buscando apoio. Ontem, contudo, pouco tempo passou no Congresso.
Do lado pró-Dilma os deputados José Rocha (PR), José Nunes (PSD) e Paulo Magalhães (PSD), bancaram a decisão em momentos difíceis e foram ponta de lança da presidente, mas as decisões mais complicadas em favor do atual governo foram tomadas pelos quatro parlamentares do PP. Isso porque o partido fechou questão pelo impedimento e ameaçou expulsá-los ou tirar o diretório do comando deles, o que em ano de eleições municipais é algo extremamente preocupante para eles.
Benito Gama (PTB), Márcio Marinho e Tia Eron, ambos do PRB, também trabalharam nos bastidores com protagonismo. Benito foi um dos principais articuladores do baixo clero, enquanto só dois do PRB foram decisivos para que o partido fechasse questão garantindo os 22 votos da bancada em favor do impedimento.
Wagner, Rui e Neto
Os três maiores expoentes da política baiana cerraram os punhos e disputaram os votos dos aliados. Wagner, na condição de ministro-chefe de Gabinete da presidente Dilma, ficou responsável pela articulação nacional, contudo, serviu como fiado de Rui Costa na negociação com os deputados federais. Rui esteve em Brasília diversas vezes nas últimas semanas e assegurou o aperfeiçoamento do diálogo com os aliados da bancada federal.
ACM Neto atuou mais nos bastidores. O prefeito de Salvador é tido como um dos principais nomes futuros do DEM e, portanto, do grupo adversário ao atual governo. Ele esteve em Brasília em alguns momentos, sendo o último, na sexta-feira (15), em um jantar oferecido à Michel Temer.
Resultado
Assim como nas eleições de 2014, quando a Bahia entregou a Dilma três milhões votos a mais que a Aécio Neves (PSDB) na disputa do impeachment a vitória será da tese contra impedimento. 24 a 15 é o placar consolidado com poucas chances de mudanças. Até o sábado (16) houve uma disputa ferrenha nos bastidores pelo voto de Erivelton Santana (PSC). Contudo, o partido fechou questão e houve apelo, segundo fontes do Bocão News, para que ele não mudasse de opinião e assim foi feito.
Matéria do editor de política Luiz Fernando Lima, direto de Brasília

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