No dia em que o Senado Federal vota a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), uma das autoras do pedido, a advogada Janaína Pascoal, voltou a negar que seu trabalho tenha sido patrocinado pelo PSDB.
“Me contrataram para o fazer um parecer, que não tem nada a ver com esse pedido que está aí, mostrei para eles que haviam elementos para o impeachment, mas eles não entraram com o pedido”, disse em entrevista ao programa Se Liga Bocão, na Itapoan FM, nesta quarta-feira (11), ao justificar o recebimento de R$ 45 mil por serviços prestados à sigla.
Janaína Pascoal disse que não se preocupa como sua imagem será ficará gravada na história. “Hoje sou uma cidadã com consciência tranquila. Não me omiti diante do cenário de horror. Como vão me descrever no futuro, foge da minha alçada”, disse, ao relatar que 90% das mensagens que tem recebido são de apoio ao impeachment.
Além do crime de responsabilidade fiscal, ela criticou o “comportamento leniente” da presidente com as pessoas próximas a ela envolvidas em esquemas de corrupção. “Seria mais fácil me perguntar por que não fazer o pedido do impeachment”.
Ela reiterou que os documentos analisados do Tribunal de Contas da União (TCU) não implicam culpa ao vice-presidente Michel Temer. Janaína ainda rechaçou também a Proposta de Emenda Constitucional para a convocação de novas eleições em outubro. “Completamente institucional, não tem nenhuma fundamentação jurídica. Isso, sim, é golpe”.
Apesar de negar filiação à sigla tucana, Pascoal não evitou duras críticas ao PT. “Partido autoritário. Eles não convivem bem com a divergência. Têm a mania de se apresentar como donos da verdade, mas agora eles estão um pouco por baixo porque a casa deles caiu, a máscara caiu”, disparou, ao pontuar que “não consegue ver nada de bom” ao longo dos 13 anos da gestão petista. “Foi uma bolha. Agora as pessoas estão vendo que foi só para enganar e para garantir um plano de poder”.
E lembrou seu histórico em mobilizações da política nacional. “Faria tudo de novo. Meu intuito foi ajudar o país. Foi um trabalho voluntário em prol da nação. Estou pedindo fora Dilma como pedi o fora Collor. A diferença é que na época era uma menina de 17 anos e hoje sou uma mulher de 41 anos, professora de Direito e advogada”.
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