Em encontro com a imprensa baiana na manhã desta sexta-feira (22), o deputado federal ACM Neto destacou alguns pontos sobre seu mandato e, principalmente, sobre a corrida à prefeitura de Salvador. O deputado afirmou que o propósito da reunião era fazer um balanço do primeiro semestre e traçar metas para o segundo. “O primeiro semestre começou com problemas internos na oposição. Mas tanto o DEM e o PSDB conseguiram resolver as pendências”. Mas Neto não esqueceu de criticar o governo federal: “O período também foi de grande desgaste no governo Dilma Rousseff, principalmente por causa dos escândalos envolvendo Palocci, os aloprados e por conta dos problemas no ministério dos Transportes”.
Vindo para o plano local, Neto fez questão de ressaltar algumas ações do DEM: “Eu e Aleluia estamos dando segmento a uma série de visitas no interior para organizar o partido para 2012. Nossa prioridade é ter um plano técnico e programático bem elaborado para 2012”. Focando nas eleições, o deputado afirmou que o ideal é que as oposições marchem unidas, mas não somente em Salvador: “Creio que nas 15 principais cidades baianas a oposição tem condições de apresentar um candidato para vencer. Agora, os partidos têm que ter o entendimento para apoiar ou ser apoiado”.
Questionado sobre se o encontro não seria para anunciar sua tão comentada pré-candidatura a prefeito de Salvador, o democrata se esquivou: “Quem me coloca na condição de pré-candidato é a cidade. Posso ser ou não. A decisão só será tomada no momento certo”.
Completando, Neto se disse mais cauteloso: “a candidatura de 2008 não me traria grandes riscos. Essa é mais complexa”. Sobre os possíveis riscos, Neto já deu a entender o interesse também em 2014: “Não tenho escondido de ninguém que pretendo construir um projeto majoritário em minha carreira, que pode ser em 2012 ou em 2014. Tudo vai depender da conjuntura política e da vontade popular”.
Apesar de não se lançar ainda, Neto não criticou os partidos que estão lançando seus pré-candidatos com tanta antecedência: “acho muito boa a candidatura de Márcio Marinho, assim como fez o PCdoB com Alice Portugal e o PTB com o vice-prefeito Edvaldo Brito”. Isso só prova que vale tudo na disputa eleitoral para derrotar o PT, inclusive elogiar candidaturas que enfraquecem o PT, como a do PCdoB, e até compor com o PP de João Leão. “Eu não vou deixar de dialogar com o PP caso haja disposição. Não há nenhum embargo para discutir com os partidos da base de Dilma e que tenham um projeto que se alinhe ao nosso em Salvador”, disse.
Independente dos caminhos que o DEM faça para chegar à prefeitura, Neto foi enfático ao afirmar: “A oposição não tem o direito de errar. E por isso tem que compor uma chapa mais forte com condições de ganhar”. O virtual candidato do DEM já adiantou que não vai fazer barganhas políticas caso a prefeitura caia em seu colo: “O próximo prefeito de Salvador não pode trabalhar com a lógica de lotear cargos. Eu não me disporia a ser prefeito de Salvador se não fosse para deixar uma marca”.
O deputado também aproveitou para citar algumas de suas prioridades na Câmara Federal no segundo semestre: “Temos como prioridade a aprovação da PEC 300, a emenda 29, que garante maiores recursos para a saúde, votar o projeto do Supersimples e forçar a discussão da reforma política”.
Sobre sua relação com o prefeito João Henrique (PP), Neto salientou que tem muita gente que torce para eles brigarem. Mas deixou bem claro que “não é pela relação de respeito e pela contribuição que dei na reeleição de João Henrique que vou deixar de criticá-lo quando for preciso”. O discurso engrossou quando o assunto foi o governo da Bahia. “Não acredito que o governo do estado seja capaz de construir um trecho de 20 quilômetros de metrô na Paralela. Ainda temos que acabar com a novela do menor metro do mundo”.
Neto foi além nas críticas: “se fosse nas mãos de um governo eficiente, o metrô da Paralela até poderia ser discutido. Mas com o PT não vai sair”.
Fotos: Gilberto Junior / Bocão News
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