Matéria publica na Folha de São Paulo deste domingo (21) dá conta de que o Ministério do Turismo gastou R$ 351,7 milhões nos últimos dois anos em obras que nada têm a ver com o setor: drenagem, esgotamento sanitário, praças e pontes.
De acordo com a apuração do impresso paulista, das 841 cidades beneficiadas pelos convênios de infraestrutura, 105 estão na lista dos considerados relevantes para o turismo. O próprio ministério estabeleceu critérios e alçou 584 municípios à condição de “indutores do turismo”, e, portanto, relevantes ao setor.
A reportagem da Folha identificou que, quase metade dos recursos é ligada a emendas parlamentares, propostas sob a rubrica "apoio a projetos de infraestrutura turística".
Uma das emendas do Turismo, destinada à capacitação de profissionais no Amapá, provocou a Operação Voucher da Polícia Federal, deflagrada há duas semanas.
A cidade de Jandira (Grande São Paulo) recebeu R$ 2 milhões no ano passado para realizar uma obra de drenagem e pavimentação. Lá, não existem nem sequer hotéis para receber gente de fora.
No Maranhão, a cidade de Timon, com 125 mil habitantes, ganhou R$ 2,3 milhões em 2010 para asfaltar ruas.
O recurso saiu de emenda do deputado federal Sétimo Waquim (PMDB-MA), que é marido da prefeita, Socorro Waquim (PMDB). Ambos são do mesmo partido e Estado do ministro Pedro Novais.
A prefeitura vê no turismo uma das possibilidades de desenvolvimento da cidade, mas a atividade ainda não pesa na economia local.
No Rio Grande do Sul, Paim Filho (a 343 km de Porto Alegre) ganhou R$ 975 mil para asfaltar uma avenida.
A verba foi viabilizada pelo deputado federal Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, que pediu à pasta a liberação de recursos, sem necessidade de emenda. O prefeito da cidade, Ceser Beuren, também é petista.
O município tem alguns atrativos, como um balneário e festas religiosas. Mas os maiores beneficiados com as obras foram os habitantes.
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