Em entrevista ao
site da Carta Capital, o presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, defende que políticos não devem ter veículos de comunicação. Segundo ele, para evitar a manipulação ou deturpação da notícia a favos de seus gestores. Na Bahia, Família ACM, Marcos Medrado, Felix Mendonça, que se afastou da política, mas os filhos continuam em cargos públicos são donos de alguns veículos.
CartaCapital – No Congresso do PT, na última semana, foi discutida a regulação da mídia. Qual a sua posição sobre o assunto?
Edinho Silva - Aqueles que ocupam cargos políticos não podem ter veículos de comunicação. Além disso, temos que criar efetivamente condições para que haja uma democratização da comunicação no País e isso passa pela democratização da propriedade dos veículos. É um debate que deve ser feito com muita tranquilidade, sem partidarismo e em parceria com a sociedade. Não pode haver dogmas. A cada momento da História é preciso fazer reformas na estrutura do Estado e não pode existir nada na concepção de democracia moderna tratado como dogma e intocável. Da mesma forma que entendemos que o modelo atual da relação do Judiciário com a sociedade civil precisa passar por um aprimoramento, ou defendemos um controle maior do Executivo, não há dúvidas de que devemos entrar nesse debate enxergando os interesses da sociedade. Devemos deixar claro que não pode haver nenhum instrumento que fiscalize conteúdo publicado pela imprensa.
O tema foi discutido no 4º Congresso Nacional do partido, realizado na última semana, uma proposta para o setor foi discutida, visando principalmente o fim da propriedade cruzada de meios de comunicação. O documento, que não menciona a criação de instrumentos de censura, pede a responsabilização da mídia quando houver falseamento ou distorção dos fatos e aponta o domínio midiático de grupos econômicos como “silenciadores de vozes” e “marginalizadores de multidões”. A reorganização e defendida também pelo ex-ministro da Comunicação Franklin Martins. Para ele, a mídia precisa enfrentar uma desconcentração econômica e deve ter “obrigações mínimas de conteúdo”.
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