Política

Aleluia abre o jogo sobre a relação entre DEM e PSDB

Para o presidente da legenda na Bahia, as coisas não andam bem entre os aliados   |  

Publicado em 16/10/2011, às 09h02      Redacão Bocão News

O presidente estadual do DEM na Bahia, José Carlos Aleluia, concedeu entrevista ao colunista da Folha de São Paulo Josias Gomes. Entre as declarações polêmicas do político baiano estão algumas que colocam em dúvida as afinidades tidas como históricas entre os Democratas e tucanos.

Aleluia fez questão de ressaltar que o PSDB não tem dado aos antigos membros do PFL o tratamento esperado. Confira a publicação na integra:

Afora as divisões internas, o PSDB convive com trincas no bloco de oposição. O DEM, velho e tradicional aliado do tucanato, está insatisfeito com a parceria.

Em entrevista ao blog, José Carlos Aleluia, vice-presidente do DEM federal, içou à superfície um desconforto que vinha sendo mantido nos subterrâneos.

“O PSDB não tem dado a nós o tratamento que esperamos”, declarou Aleluia.

“De um modo geral, o PSDB tem achado que nós somos aliados cativos. É um erro. Nós não somos aliados cativos do PSDB.”

Dá-se de barato entre os tucanos que, em 2014, o DEM apoiará o candidato do PSDB à Presidência da República, seja ele quem for.

E Aleluia: “Trata-se de uma visão totalmente equivocada. Essa ideia do alinhamento automático não existe no nosso partido...”
“...Hoje, o que há é um crescente desconforto com a relação. O PSDB não conseguiu se unificar. Por que deveríamos aderir a algo que está esgarçado?”

O PPS, outro partido que o tucanato enxerga como aliado irreversível prepara para dezembro um Congresso para redefinir o seu papel.

Conforme já noticiado aqui, a legenda presidida por Roberto Freire previu, em documento preparatório do encontro, o debate sobre a candidatura própria.

O texto anota a certa altura: “[...] já neste congresso, discutiremos a possibilidade de candidatura própria para presidente em 2014.”

O repórter perguntou a Aleluia se o DEM pode seguir o mesmo caminho esboçado pelo PPS. “Essa hipótese está crescendo no partido”, ele respondeu.

“Sempre defendi isso. E agora me sinto mais à vontade porque cresce no partido a ideia de uma candidatura própria, sem falar em nomes...”

“...É grande o movimento para ter candidato próprio ou construir uma alternativa nova, independente do PSDB...”

“...De concreto, há a certeza de que não temos nada acertado com o PSDB para 2014. Não temos e não teremos tao cedo.”
Além de ocupar a vice-presidência da legenda, Aleluia preside aFundação Liberdade e Cidadania, braço de pesquisa e assessoramento do DEM.

Integra, de resto, um grupo em que representantes do DEM e do PSDB analisam as perspectivas de parceria para as eleições municipais de 2012.

O grupo já realizou duas reuniões. Prepara a terceira para o início da próxima semana.

“Há um esforço para caminharmos juntos. Mas nem eles são cativos a nós, nem nós a eles”, disse Aleluia.

Por ora, prevalece o dissenso, por exemplo, em relação a três das mais importantes capitais em disputa nas eleições do ano que vem.

“São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte não são lugares de negociação fácil”, disse Aleluia.

Na capital paulista, o DEM nã hesitaria em associar-se ao PSDB se o candidato tucano fosse o ex-presidenciável José Serra.

“A ausência da candidatura do Serra criou um quadro de incertezas”, declarou Aleluia. “Podemos ter uma opção própria ou conversar com outros partidos”.

Aleluia menciona como alternativa a hipótese de um acerto do DEM com o candidato do PMDB à prefeitura paulistana, Gabriel Chalita.

No Rio, praça em que o tucanato cogita lançar o deputado Otávio Leite, o DEM caminha noutra direção.

Os ex-rivais Cesar Maia (DEM) e Anthony Garotinho (PR) tentam pôr em pé uma chapa dos filhos –na cabeça, Rodrigo Maia. Na vice, Clarissa Garotinho.

Na capital mineira, o PSDB de Aécio Neves prepra-se para repetir em 2012 o apoio ao prefeito Márcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição.

“Não congitamos apoiar o candidato do PSB. Temos de criar um caminho novo em Minas”, disse Aleluia. “Pode ser um candidato nosso ou de outro.”

Por enquanto, o único acordo celebrado por DEM e PSDB envolve Aracaju, a capital sergipana.

Ali, o candidato será o ‘demo’ João Alves. O vice deve ser José Carlos Machado, que transferiu-se do DEM para o PSDB.


Foto: André Carvalho // Bocão News

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