Política
Publicado em 24/04/2020, às 13h07 Reprodução/Instagram Léo Sousa
O procurador regional da República, Vladimir Aras, classificou como "gravíssimos" os fatos narrados pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, no seu anúncio de demissão na manhã desta sexta-feira (24). A saída de Moro do governo ocorre após o presidente Jair Bolsonaro exonerar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, escolhido pelo ministro para o cargo e considerado um braço direito do ex-juiz.
Ao anunciar a sua demissão, mais de uma vez, Sergio Moro afirmou que Bolsonaro quer interferir politicamente na Polícia Federal, responsável por investigações como a que atinge o seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).
"Interferência política na Polícia Federal é inadmissível. A Polícia Federal se notabilizou como uma das forças policiais mais respeitadas do mundo por atuar tecnicamente, com um corpo funcional bem preparado e com bastante autonomia operacional. As consequências dessa intromissão política são incalculáveis", escreveu Vladimir Aras em seu Twitter.
O procurador defendeu investigações sobre os fatos sobre o presidente relatados por Moro em seu pronunciamento. "Os fatos narrados por Sergio Moro são gravíssimos. Houve relatos sobre falsidade ideológica, obstrução da justiça e crime de responsabilidade, que deverão ser investigados pelo Ministério Público Federal e pela Câmara dos Deputados".
Aras afirmou ainda que o Congresso Nacional pode aprovar "rapidamente" mudanças nas regras de nomeação para o comando da Polícia Federal, "como a introdução de regra de nomeação do diretor geral da PF por lista tríplice e com termo fixo, com prazo desemparelhado do mandato presidencial".
Interferência política na Polícia Federal é inadmissível.
— Vladimir Aras (@VladimirAras) April 24, 2020
Os fatos narrados por @SF_Moro são gravíssimos. Houve relatos sobre falsidade ideológica, obstrução da justiça e crime de responsabilidade, que deverão ser investigados pelo @MPF_PGR e pela @camaradeputados Câmara dos Deputados.
— Vladimir Aras (@VladimirAras) April 24, 2020