Política

Sob ameaça de afastamento, prefeito de Jequié diz que perdeu apoio por não “ceder às chantagens” dos vereadores

Acusado pelo MP-BA de improbidade administrativa, Sérgio da Gameleira (PSB) afirmou ao BNews que já planeja recorrer da decisão  |  Reprodução/Redes Sociais

Publicado em 12/05/2020, às 08h42   Reprodução/Redes Sociais   Luiz Felipe Fernandez

O prefeito de Jequié, Sérgio da Gameleira (PSB), reagiu à tentativa de afastamento por parte dos vereadores da Câmara Municipal, que devem votar a medida nesta terça-feira (12), em Sessão Ordinária. 

Em conversa com o BNews, Sérgio reconhece que é provável que os dez vereadores necessários votem pelo seu afastamento, mas que já planeja recorrer.  Segundo ele, a debandada de vereadores da sua base nos últimos tempos, sendo quatro que saíram nos últimos 60 dias, foi por não ter atendido às “chantagens” dos edis.

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“Uma motivação política pela prefeitura não ceder as chantagens. Infelizmente faz parte do que modelo que a gente viu. Dos vereadores, 90% saíram da base com certeza absoluta, motivados por não terem conseguido que suas chantagens e beneficies fossem cedidas”, acusa.

O líder do Executivo de Jequié é acusado pelo Ministério Público Estadual (MP-BA) de improbidade administrativa, por ter causado prejuízo de cerca de R$ 4,9 milhões aos cofres públicos. Desde 2017, Gameleira teria deixado de fazer os repasses para o Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Jequié (Iprej), apesar de ter gasto mais de R$ 6 milhões em publicidade de 2017 até abril deste ano.

De acordo com Gameleira, a sessão prevista atenta infringe o regulamento interno da Câmara Municipal, que em meio à pandemia do novo coronavírus determinou que só ocorram Sessões Extraordinárias em “regime de urgência”.  O prefeito alega que deveria ter sido respeitado o prazo mínimo de cinco dias para que o presidente da Casa, Tinho de Waldeck (PV), acatasse o pedido para a sessão. 

Segundo o prefeito, o primeiro passo seria votar pela aceitação do pedido de afastamento, mas os vereadores - agora da oposição - querem a validade da medida imediatamente. 

“Estão rasgando o regimento interno da casa, agindo em regime de urgência. Essa matéria não atende, nenhum dos vereadores nem eu, tivemos acesso ainda. Estão querendo, a todo custo, o afastamento imediato. Nada disso pode ser feito no momento de pandemia que estamos vivendo e tem um decreto da própria Câmara, que só poderia ter sessões extraordinárias”, argumenta.

Desde o início do ano, Sérgio da Gamaleira tem perdido apoio e credibilidade frente aos cidadãos de Jequié. Além da recente acusação do MP-BA, em fevereiro, um vídeo do prefeito entregando um saco de dinheiro a um homem, viralizou na internet e foi atribuído a um pagamento de propina. O prefeito negou e justificou que se tratava de um empréstimo pessoal.

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