Política
Publicado em 05/08/2020, às 17h16 Divulgação Rafael Albuquerque
O prefeito ACM Neto detalhou, na manhã desta quarta-feira (5), o protocolo da segunda fase da retomada das atividades econômicas em Salvador em decorrência da pandemia do novo coronavírus. A fase um foi iniciada no dia 24 e, caso a taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivos para pacientes com a Covid-19 se mantenha em até 70% por mais dois dias, até o começo da próxima semana a fase dois será iniciada, contemplando cerca de 30 mil estabelecimentos, entre eles academias de ginástica, salões de beleza, barbearias, bares e restaurantes.
O problema é que dentro das atividades desportivas, a prefeitura, apesar de ter liberado academias, não deu aval para a retomada das atividades aquáticas. Isso, claro, desagradou aos representantes da categoria, como Artur Magnavita, diretor da Rede Fluir de atividades aquáticas.
Em entrevista ao BNews, ele afirmou ter sido pego de surpresa. "A notícia de que as piscinas das academias estariam fora dessa fase dois da retomada foi assimilada com muita surpresa". O diretor salientou que não há grandes riscos na prática de atividades aquáticas "até porque todos os artigos e referências científicas e a própria lógica convergem para que as atividades feitas numa piscina tratada com cloro seja mais seguras do que atividades feitas fora da piscina. É provado que o cloro inativa o vírus. Na piscina você não tem superficies de contato".
Segundo Magnavita, além do tratamento da piscina, os estabelecimentos do segmento também iriam utilizar o distanciamento social juntamente com a estratégia de cuidado e segurança, além de outras medidas: "acreditamos que seja viável e seguro. Concordamos com a redução do número de alunos por turmas e que o uso de duchas deve ser proibido nesse primeiro momento. A natação é uma atividade de característica individual, onde as pessoas nadam em raias dinstintas, com o rosto dentro d'água, e isso dificilmente seria um risco para proliferação da doença".
Artur Magnavita completou destacando que atividades aquáticas como a hidroginática podem ser feitas com máscaras tradicionais ou face shield, e reclamou da falta de isonomia por parte da prefeitura: "tem atividades similares que vão voltar a funcionar e a gente não vai voltar. Setores que representam muito mais aglomeração, mas que tem um maior apelo econômico, uma pressão mais forte, estão funcionando, e nós que estamos tentando resgatar saúde e qualidade de vida das pessoas, nos está sendo imposto, de forma não compreensível, esse posicionamento no plano de retomada".
Thiago Batista, professor de educação física e fisioterapeuta, gestor da Pererê AcquaFitness, empresa com mais de 30 anos de mercado, também fez duras críticas em relação à exclusão das atividades aquáticas da segunda fase. "Eu não vejo um parâmetro claro para tal decisão. Já é de conhecimento geral, a partir de documentos da OMS, representantes legais das atividades aquáticas e artigos científicos, que dentro da água tratada (com cloro, por exemplo), não existe a disseminação do vírus Sars-CoV-2 (o corona vírus). Sendo assim, as atividades no meio líquido não representam qualquer risco aos praticantes em relação ao contágio".
Tiago, que também é membro do Sindicato dos estabelecimentos de ensino livre do estado da Bahia (Sindilivre), que representa as academias de atividades aquáticas disse que não faz sengido permitir atividades coletivas em academias, que trazem muito mais riscos de contaminação, e não liberar uma atividade individual em meio aquático.
O fator econômico e a possibilidade de demissões no setor preocupam os representantes. "Como representante do sindicato, digo que as academias de piscina, que não irão abrir nessa primeira fase, ficarão em uma situação muito crítica, em relação aos seus colaboradores. Representamos mais de 20 unidades com inúmeros empregos correndo risco eminente, pois já que são quase cinco meses fechados, sem renda e sem perspectiva de reabertura", finalizou Thiago Batista.
A reportagem procurou a Secretaria de Comunicação da Pefeitura, que justificou a manutenção do veto às práticas esportivas em piscinas através da seuguinte nota: "A decisão de manter as piscinas fechadas foi tomada com base na opinião da área de saúde do comitê técnico, formado por profissionais do Estado e da Prefeitura. Os técnicos sustentam que na água não há perigo de transmissão mas os procedimentos antes e depois do uso da piscina trazem riscos significativos de contaminação. Isto envolveria a utilização dos vestiários, que estarão fechados". Desta forma, as referidas atividades ficam para as próximas fases da retomada econômica.