Política

O trono de Marcelo Nilo

Presidente da Assembléia quer quebrar tradição e se perpetuar no cargo  |  

Publicado em 12/11/2010, às 12h29      Redação Bocão News

Após o Bocão News abrir a discussão a respeito da permanência do deputado Marcelo Nilo (PDT) na presidência da Assembeia Legislativa da Bahia, abrindo um precedente na história da Bahia, já que até hoje nenhum outro presidente tentou se perpetuar no cargo, é a vez do Jornal da Metrópole incendiar o debate.

O ex-tucano Marcelo Nilo, convertido ao esquema governista, conquistou a simpatia do governador Jaques Wagner (PT), que "bancou" sua eleição para a presidência do Legislativo baiano, contrariando a tradição existente em todos os Legislativos brasileiros que estabeleceu que a maior bancada assume o comando da Casa, Nilo, integrante de um partido que na legislatura atual só tem ele e o deputado Roberto Carlos como representantes, assumiu a presidência da Assembleia com o compromisso de não disputar a reeleição. Era o acordo firmado com Wagner.

A reportagem do Jornal da Metrópole mostra a ascenção do deputado, a falta de cumprimento do acordo fechado com o governador Jaques Wagner, e questiona como Marcelo Nilo conquistou tanto poder.

Passando por cima de todos e contando, para isso, com o aval do governador, Nilo partiu para a reeleição, transformando a Casa num balcão de negociações, segundo foi amplamente noticiado na imprensa local com base em informações contidas num relatório do Tribunal de Contas do Estado.

Não satisfeito coma reeleição, o até então deputado sem grande visibilidade e com uma atuação parlamentar pífia, de repente transformou-se não apenas no "queridinho" do governador Jaques Wagner que - em desrespeito às tradições e ao seu próprio partido, apoiou seu projeto de reeleição -
mas também num deputado detetor de uma das maiores fortunas do Legislativo baiano e líder em de votação entre seus pares.

Para quem conheceu o Marcelo Nilo de ontem e vê o de hoje, é difícil entender como um obscuro parlamentar com 20 anos de mandato conseguiu, em apenas quatro anos, registrar crescimentos desta natureza. Talvez a mágica que o elevou a condição de gozar de tanto prestígio, poder e enrequecimento de uma hora para outra, seja a credencial para levá-lo à terceira "eleição"  para a presidência da Assembléia Legislativa.

E o pior é que, mais uma vez , Wagner empurra "guela" abaixo da sua bancada  "candidatura" de Nilo, mostrando que, apesar das aperências, este governo pouco se difere das gestões consideradas autoritárias da época do carlismo, quando a Assembleia era apontada pela oposição, especialmente pelo PT, órgão homologador dos interesses do governo. Apesar dos reclamos, mudaram os personagens, mas não as práticas.

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