O vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, publicou um artigo contundente no jornal a Tarde desta segunda-feira (30). Em seu texto, intitulado “O politicamente correto na política”, o cacique peemedebista critica a postura do governo petista no estado.
De acordo com Geddel, na era da governabilidade a qualquer preço, o contraditório se tornou produto em falta no mercado político baiano. O ex-ministro da Integração Nacional afirma que a oposição na Bahia é taxada de politicamente incorreta. “Aqui, pela lógica do governo, prevalece a ditadura da maioria: manda quem pode, aprova quem tem juízo e esperneia quem não quer o bem da Bahia”, escreveu.
Geddel argumenta que este fato gera um distorção no exercício da democracia. “Em vez de termos um regime que preza pelo debate público de ideias, com exposição de argumentos sobre assuntos de interesse da população, num processo de troca e negociação saudável à política, comum em estados republicanos, vemos uma imposição de projetos do governo, votados sem discussão, e que nem sempre correspondem às necessidades da população”.
Matéria originalmente postada às 17h do dia 30
O ex-ministro, que participou das articulações políticas da primeira gestão de Jaques Wagner e, portanto, conhece bem os mecanismos de convencimento da base governista, agora na oposição estadual expõe o
modus operandi do petista. “Para conseguir aprovar suas prioridades, o Executivo age em duas frentes. Na primeira, o chefe maior do Estado busca arrebanhar novos seguidores a todo custo, oferecendo em troca de apoio secretarias e empregos no serviço público para apadrinhados políticos. Assim, o governo conseguiu alinhar 49 dos 63 votos da Assembleia Legislativa”.
O peemedebista continua: “na segunda, tenta-se enfraquecer o trabalho de quem se opõe à atual gestão. Os que se mantêm fiéis às suas convicções e contrários à dinâmica do “seja governo” são criticados. Um Estado republicano forte precisa que a oposição atue com críticas ao trabalho desenvolvido pelo governo. A oposição não pode ser adjetivada de construtiva. Ela precisa existir e se contrapor quando assuntos delicados não têm a devida atenção”.
Geddel ataca pontos que são comuns nas administrações petistas desde a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, para presidência da República. À época o próprio PMDB foi chamado para compor com o governo, em troca de cargos e ministérios. No segundo mandato de Lula, 2006, quando o PMDB colocou o vice-governador, Edmundo Pereira, na chapa vencedora de Wagner não foi diferente.
Neste mesmo período, Geddel seguiu para o ministério da Integração Nacional. Não colocando em questão a capacidade para ocupar o cargo no primeiro escalão do governo, o que fez com eximia competência para felicidade de muitos baianos e em particular para João Henrique – prefeito de Salvador -, a nomeação do Vieira Lima foi fruto da articulação para garantir a base aliada no Congresso Nacional.
Entre uma costura e outra, após romper com Wagner e seguir o caminho da oposição, Geddel perdeu a eleição de 2010 e agora ocupa outro cargo federal, novamente sem questionar qualidades, mas que a articulação faz parte da estratégia dos partidos que compõem a base da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional.
O nome disso é governabilidade e em nome dela já foram noticiados processos como o do mensalão, bem como a nomeação arbitrária e pouco consistente de apadrinhados políticos. Aqui e lá a coisa tem funcionado assim, se bom ou ruim, cabe à história e aos eleitores julgar, mas fato é que o PMDB, assim como o PT deram continuidade a este método de fazer política, portanto, compartilham as responsabilidades mo ônus e no bônus.
Foto: Gilberto Júnior // Bocão News
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