Política

MPF cobra do Carrefour ações contra o racismo e indenização para família de João Alberto

O MP cobra do Carrefour “medidas concretas” em prol dos direitos humanos   |  Divulgação

Publicado em 22/11/2020, às 15h40   Divulgação   Redação BNews

O Ministério Público Federal (MPF) defendeu que a rede varejista Carrefour adote medidas de compliance em todas as lojas para combater o racismo e pediu reparação para família de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro espancado até a morte em uma loja do grupo em Porto Alegre.

O MP cobra “medidas concretas” em prol dos direitos humanos, a exemplo de treinar, capacitar e qualificar empregados e agentes terceirizados contra práticas racistas. O objetivo maior, reforça o Ministério Público, é combater o racismo institucional e estrutural presente na sociedade brasileira. Procuradores também defenderam que a rede de supermercados e a empresa de segurança privada Vecton promovam medidas corporativas para que não haja novas violações aos direitos humanos.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

“A morte de João Alberto Silveira Freitas, às vésperas do Dia da Consciência Negra, espancado até a morte nas dependências do supermercado Carrefour, em Porto Alegre-RS, deve resultar na aplicação das sanções penais cabíveis, na reparação civil dos danos causados aos familiares da vítima e nas demais consequências jurídicas previstas pela legislação, inclusive no campo das relações de trabalho”, diz trecho da nota do MP, assinada pelo subprocurador-Geral da República e procurador federal dos Direitos do Cidadão Carlos Alberto Vilhena e por membros do Ministério Público que atuam em grupos de trabalho de combate ao racismo e de promoção dos direitos humanos.

Ao se manifestar sobre o caso, o MP apresentou dados que demonstram o impacto da violência sobre a população negra. A cada 21 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil. Negros e pardos representam quase dois terços da população carcerária do país e têm 2,7 vezes mais chances de serem vítimas de assassinato do que uma pessoa branca. Em 2019, mais de 35 mil pessoas negras foram mortas no Brasil.

Para o MP, o Carrefour deve ser responsabilizado pela atuação dos seguranças terceirizados que espancaram João Alberto na quinta-feira. “Coibir práticas e abordagens violentas, abusivas, desproporcionais, agressivas e letais – especialmente contra pessoas negras, alvos preferenciais das forças de segurança, sejam públicas ou privadas – é um dever do Estado e das empresas. Os tomadores de serviços são responsáveis pelas atitudes de viés violento, preconceituoso, racista e violadoras de direitos resultantes de atividades de segurança privada”, reforçou o MP no comunicado.

Classificação Indicativa: Livre


TagsMPFmorteracismojoãoCarrefour