Política

Tem ministro fura-teto que não desiste, diz Guedes sobre Orçamento fictício

Ministro da Economia não citou nomes das autoridades para as quais direcionou as acusações  |  Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Publicado em 09/04/2021, às 14h45   Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil   FOLHAPRESS

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou nesta sexta-feira (9) que a negociação que culminou na aprovação de um Orçamento inexequível para este ano teve a participação de "ministro fura-teto", que sugeriu o rompimento de regras fiscais e propôs privilegiar repasses ao estado do relator das contas do governo.

Em videoconferência organizada pelo banco Bradesco, o ministro não citou nomes das autoridades para as quais direcionou as acusações. No entanto, como mostrou a Folha, membros da equipe econômica atribuem ao ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) parte da articulação que inflou as emendas parlamentares no Orçamento de 2021.

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"Foi justamente essa vontade de acertar que acabou quase duplicando o que era o acordo político [para emendas parlamentares]. Todo mundo quer acertar, quer inauguração de uma obra aqui, uma obra ali", afirmou o ministro na videoconferência.

"Aí tem um ministro também, tem sempre um ministro mais ousado, tem ministro fura-teto, tem de tudo aqui. Tem ministro que não desiste, volta toda hora e bate no mesmo lugar, bota em risco a viagem do grupo todo", disse.

O termo escolhido pelo ministro da Economia já foi usado no ano passado abertamente contra Marinho. Em outubro de 2020, ele entrou em uma briga pública com o colega. Após o titular do Desenvolvimento Regional criticar Guedes em evento, o chefe da Economia chamou o colega de "despreparado, desleal e fura-teto".

O teto de gastos limita o crescimento das despesas do governo à variação da inflação. Enquanto Guedes quer conter as despesas do governo, Marinho briga por mais obras com dinheiro público.

Novamente sem mencionar nomes, Guedes afirmou que durante a negociação do Orçamento, houve um ministro que prometeu privilegiar o relator da proposta, senador Márcio Bittar (MDB-AC).

"O relator estava recebendo conversa de ministro, tinha ministro pedindo dinheiro para ele e prometendo mandar dinheiro para o estado dele. Ao mesmo tempo, tinha gente falando em nome do presidente que queria um pouco mais de dinheiro. Inclusive, disse o relator que houve proposta de furar o teto", afirmou.

Em outro momento, Guedes disse que tem oportunista em todo lugar, inclusive dentro do governo.

A pasta de Marinho foi a que mais ganhou espaço durante as negociações políticas envolvendo o Orçamento. A verba destinada ao ministro subiu de R$ 6,4 bilhões, na versão original do governo, enviada em agosto do ano passado, para quase R$ 21 bilhões na versão final, aprovada pelo Congresso.

A interpretação de membros da equipe econômica é que Marinho correu por fora, fazendo acordos políticos com parlamentares, contribuindo para atentar contra o próprio Orçamento e o teto de gastos.

Na elaboração orçamentária, o governo deixa um espaço para que obras, por exemplo, sejam patrocinadas por parlamentares por meio de emendas. Por isso, o Desenvolvimento Regional, responsável por projetos na área habitacional, de saneamento e de gestão hídrica, é irrigado por recursos a serem apontados por deputados e senadores.

No entanto, a equipe econômica avalia que a expansão da verba do Desenvolvimento Regional acabou prejudicando o espaço para despesas obrigatórias, como aposentadorias, e também o custeio da máquina pública.

As divergências sobre o uso de recursos públicos para obras e os rumos da política econômica geraram seguidos embates entre os dois ministros. Até mesmo o presidente Jair Bolsonaro já teve que intervir.

Em outubro do ano passado, durante reunião do conselho de governo, Bolsonaro determinou que cada ministro fale apenas sobre temas diretamente relacionados à sua respectiva pasta.

Na videoconferência, Guedes afirmou que houve excessos e erros de todos os lados em relação ao Orçamento deste ano, que subestimou despesas obrigatórias e inflou emendas parlamentares.

De acordo com o ministro, o acordo político sobre as emendas será respeitado. Segundo ele, todos os participantes da articulação entendem o que precisa ser feito para solucionar o problema, reduzindo emendas parlamentares, mas ainda está indefinida a forma como isso será executado.

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