Política

Negligência e corrupção ainda não são suficientes para impeachment de Bolsonaro, diz senador

Segundo Humberto Costa, Bolsonaro ainda goza de certa popularidade  |  Waldemir Barreto/ Agência Senado

Publicado em 08/07/2021, às 09h10   Waldemir Barreto/ Agência Senado   Nilson Marinho

Os indícios apontados pela CPI da Covid-19 de que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) foi omisso à compra de vacinas contra a Covid-19, além do recente caso de propina dentro do Ministério da Saúde, durante o processo de compra de imunizantes, ainda não são suficientes para a abertura de um processo de impeachment contra o presidente, já que, neste momento, mesmo que em menor proporção, o mandatário goza de certa popularidade e apoio no Congresso.

A avaliação acima foi feita pelo senador Humberto Costa (PT-PE), durante entrevista nesta quinta-feira (8) ao apresentador José Eduardo, na rádio Metrópole. Humberto é um dos parlamentares de oposição na comissão que investiga a condução do governo durante a crise sanitária. 

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"O impeachment depende de vários fatores, não depende somente da existência do crime de responsabilidade. Ele depende de que haja uma maioria de parlamentares disposta a aplicar essa sanção, da popularidade, do apoio e respaldo que o governo tem. Neste momento, Bolsonaro ainda tem por volta de 25% de apoio da sociedade, o que torna difícil a realização do processo", avaliou o senador.

"Eu creio que a medida que o tempo vai passando, Bolsonaro está perdendo cada vez mais aquilo que ele tinha e tem, portanto, vão se criando as condições para isso. Creio que há uma possibilidade concreta, mas, talvez, não neste momento”, completou o petista.

Novas acusações

Nesta semana vieram à tona gravações inéditas que apontam o envolvimento direto do presidente no esquema ilegal de entrega de salários de assessores na época em que ele exerceu seguidos mandatos de deputado federal (entre os anos de 1991 e 2018), conforme revelou a coluna da jornalista Juliana Dal Piva, no portal UOL.

As declarações indicam que Bolsonaro participava diretamente da rachadinha: nome popular para uma prática que configura o crime de peculato (mau uso de dinheiro público). A primeira reportagem mostra que familiar que não quis devolver valor combinado do salário foi retirado do esquema. 

A fisiculturista Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, afirma que Bolsonaro demitiu irmão dela porque ele se recusou a devolver a maior parte do salário de como assessor. "O André deu muito problema porque ele nunca devolveu o dinheiro certo que tinha que ser devolvido, entendeu? Tinha que devolver R$ 6.000, ele devolvia R$ 2.000, R$ 3.000. Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: 'Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo'", contou.

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