Política

Bolsonaristas ironizam ruas esvaziadas; oposição troca acusações, mas diz esperar mais gente nos próximos atos

Estavam previstas manifestações em quinze capitais neste domingo  |  Dinaldo Silva/BNews

Publicado em 12/09/2021, às 20h30   Dinaldo Silva/BNews   Folhapress

O esvaziamento das primeiras manifestações contra Jair Bolsonaro após os atos de 7 de Setembro levou apoiadores do presidente a ironizarem os protestos. Já integrantes da oposição, à esquerda e à direita, trocaram acusações. Ainda assim, de acordo com parlamentares que defendem o impeachment de Jair Bolsonaro, há uma expectativa de que seja possível fazer atos mais inclusivos nas próximas vezes.

Lider do MBL e vereador de São Paulo, Rubinho Nunes (PSL) disse esperar conseguir mobilizar mais pessoas para os próximos atos do movimento, que ainda não têm data.

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Sobre as ruas estarem esvaziadas, ele disse que o primeiro ato pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff teve cerca de 5 mil pessoas -menos do que os que estavam neste domingo na avenida Paulista. O partido do ex-presidente Lula não participou das manifestações desta tarde.

"É muito conveniente para o PT a manutenção do Bolsonaro, porque ele dá o ânimo que falta para Lula ganhar a eleição. [O PT] Quer fazer falsa oposição, jogo de cena, para manter o projeto para eleger Lula", disse o líder do MBL.

Estavam previstas manifestações em quinze capitais neste domingo, sendo o foco no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. Estas últimas duas foram palco de atos a favor do presidente cinco dias antes, com pautas antidemocráticas.

Na ocasião, Bolsonaro chegou a dizer que não respeitaria decisões judiciais e xingou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de "canalha".

Nunes, do MBL, disse que a "Declaração à nação" de Bolsonaro, na qual o presidente recuou das falas golpistas feitas no 7 de Setembro, pode ter esvaziado ainda mais os atos.

Apesar da adesão de alguns partidos e grupos de esquerda, a principal resistência se deu no PT, que guarda mágoas com os dois grupos organizadores pelos protestos em favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e se incomodaram com o mote "nem Bolsonaro nem Lula", depois atenuado, na divulgação dos novos atos.

Para o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), foi um ato restrito, porque o PT não participou. "O grande desafio é, a partir dessa largada, fazer um ato apartidário, que una todos em defesa de democracia, vacina, comida. Isso não é bandeira nem do MBL, nem do PT", disse.

Ramos participou do protesto na avenida Paulista e reconheceu que não foi grande como o esperado, mas disse não ter dúvidas de que os próximos serão maiores. "Nenhum movimento de impeachment começou gigante."

O deputado Júnior Bozzela (PSL-SP), que também esteve na manifestação em São Paulo, ressaltou a representatividade de diferentes partidos –de Orlando Silva (PC do B-SP) a João Amoêdo, do Novo. Ele atribuiu o esvaziamento à ausência da participação efetiva da esquerda. "As direitas não têm uma condução de militância e organização como as esquerdas têm".

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Bozzella disse esperar contar com a presença de petistas nos próximos atos. "O PT não pode ser egoísta nesse instante. Já cometeu seus erros e acertos. Vamos deixar 2022 para discutir lá na frente. O PT tem que ter grandeza de entrar nessa discussão para a preservação do Estado democrático de direito", disse o deputado do PSL.

Sobre a ausência do partido de Lula nas manifestações, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), disse que "ninguém vetou ninguém" e que a recusa do partido do ex-presidente em aderir ao protesto é sintomática.

O senador disse que "alguns se acham os donos da bola", em uma indireta ao ex-presidente. Vieira é tido como um dos nomes que integram a chamada "terceira via" para a eleição no ano que vem.

Mesmo tendo liberado filiados para participarem das manifestações deste domingo, o PT oficialmente não esteve presente. "Os atos foram fracos. Evidente que considero importante, mas a estreiteza dos que organizaram inviabilizou atos de massas, essa é a realidade", disse o deputado José Guimarães (CE).
Segundo o congressista, por mais que organizadores do MBL tenham mudado a pauta do "nem Lula, nem Bolsonaro" para tentar contemplar petistas, a manifestação "se transformou num pequeno ato pela terceira via".
Guimarães disse ainda que os atos de 2 de outubro e 15 de novembro contra Bolsonaro, e que contam com a entidades como a CUT na organização, serão apartidários, mais inclusivos e maiores.

"O MBL produziu Bolsonaro e tem todas as responsabilidades pelo que está acontecendo com nossa democracia. Uma autoricritica faria bem à democracia."

Enquanto isso, bolsonaristas comemoraram, comparando fotos de domingo com as das manifestações de 7 de Setembro, em apoio ao presidente.

O ministro Gilson Machado (Turismo) publicou no Twitter um vídeo em que ri e diz: "Vamos ver se eles vão brigar com as imagens agora".

Já Fábio Faria (Comunicações) elegeu o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, como alvo.
"Mandetta, pode ir para a manifestação que o distanciamento social está sendo 'totalmente respeitado' em todas as manifestações de hoje", ironizou.

Mandetta deixou o governo após divergências com o presidente a respeito do combate à pandemia -o então ministro defendia medidas sanitárias como uso da máscara e o isolamento social.

Um dos nomes cotados para a chamada "terceira via", o ex-ministro da Saúde esteve ao ato deste domingo na Paulista.

Pela manhã, houve uma manifestação pró-Bolsonaro na Esplanada dos Ministério, mas a adesão foi baixíssima. O ato foi espontâneo por parte dos apoiadores, não contou com a convocação oficial do presidente.

No Twitter, Bolsonaro xingou imprensa na rede social. "Alguém sabia desse 'ato'? (12/09/2021)", escreveu Bolsonaro. "Imprensa de m...".

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