Política

Daniel Almeida admite aliança com o PMDB

“Não vejo, ainda, nenhuma força com o arco de aliança completamente definido”  |  

Publicado em 14/05/2012, às 08h01      Redação Bocão News


O presidente estadual do PCdoB, Daniel Almeida, revelou – em entrevista concedida ao jornal Tribuna da Bahia, que pode firmar uma aliança com  PMDB, rompnedo assim com o PT. “ O PCdoB sempre se movimenta em torno de projetos e somos construtores de um projeto nacional liderado, hoje, por Dilma. Aqui na Bahia somos, também, construtores de um projeto que levou Wagner ao governo do Estado. É um projeto que tem forças diversas, fruto de alianças, e é natural que existam diferenças, pleitos que podem, aqui e acolá, se confrontarem com interesses distintos. Na eleição municipal as coisas ficam mais explícitas, as diferenças se explicitam com maior intensidade porque a disputa é local, em volta de famílias, mas nenhuma dificuldade de participação do PCdoB nesse projeto. Nós temos absoluta convicção que esse é o melhor caminho e estaremos nele”, disse Almeida.

Já sobre a Secopa e a possibilidade do PCdoB a perdê-la para o PR, Daniel Almeida afirma ter uma parceria sólida com o Governo e que existe um espaço do partido que foi combinado com o governador. “Temos trabalhado muito intensamente para cumprir a nossa missão à frente desses espaços, acho que temos um resultado muito positivo na Bahia Gás, na Setre e na Secopa. É uma boa parceria que se faz com o governo federal. As ações na área de esportes se articulam com a nossa presença no governo federal e por isso eu não vejo nenhum sinal que pudesse justificar alteração dessa relação”, disse.


Após o anúncio da ida do ex-senador César Borges para a articulação do Banco do Brasil, muito se especula agora sobre uma possível aliança e apoio PR/ PT. Sobre isso, o presidente do PCdoB preferiu não se alongar na entrevista, mas disse que acredita que “tudo é possível”. “Não vejo, ainda, nenhuma força política e nenhuma candidatura com o arco de aliança completamente definido. Todos estão buscando ampliar as alianças. O PT faz isso, o PCdoB faz, o pessoal da oposição faz e as conversas estão acontecendo. Acho que esses movimentos não alteram o que está sinalizado, que é a disputa, em Salvador, em dois turnos”, completou.

Quando o assunto foi a pré-candidata, Alice Portugal e a possibilidade de ela não disputar a vaga pelo Thomé de Souza, Almeida é taxativo e a mantém no páreo. “A candidatura de Alice é uma candidatura que está absolutamente posta nesse cenário de eleição em dois turnos. Leva em conta a força que o PCdoB tem em Salvador, leva em conta o desejo que o partido tem de apresentar essa alternativa à cidade. Eu acredito que a cidade está demonstrando que quer mais opções. O cenário de hoje não tem nenhuma indicação que possa justificar a modificação desse projeto”.

Sobre as alianças da oposição – a Tribuna o questionou: O PMDB não se aliou ao DEM nem ao PSDB. Por serem aliados em nível nacional, o PCdoB vai tentar formar uma aliança com o PMDB para fortalecer Alice Portugal? “Muitos achavam difícil o PR e o César Borges, que esteve com o PMDB, vir compor um espaço no governo federal e articular uma retomada em torno do governo do Estado. Isso afirma o discurso que nós temos feito, de que é possível fazer aliança com partidos que compõem a base do governo Dilma. O PMDB é o segundo maior partido da base do governo Dilma, tem sido muito correto no Congresso Nacional nesse apoio ao projeto mais geral, portanto nós não vemos razão para não ter aliança com o PMDB. Aliás, eu tenho escutado, nos últimos dias, que existem conversas entre PT e PMDB, com possibilidade de aliança em alguns municípios da Bahia”, afirmou o presidente.


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Já sobre uma possível aliança com o PMDB, ele diz que “o PCdoB mantém o discurso, que se afirma desde o primeiro momento, que nós temos disposição, sim, de, no arco de alianças que buscamos para viabilizar a candidatura de Alice, ter o PMDB como aliado. Nunca deixamos de afirmar essa possibilidade”.

Outro ponto da entrevista foi a construção de uma hegemonia petista e se isto incomoda os aliados. Almeida acredita que quem está no Governo de coalizão tem o direito de se desejar crescer. “ Eu não condeno nenhum partido que busque se consolidar, todos desejam. Eu penso que o PT, ao longo da sua trajetória, tem evoluído na compreensão que é necessária para fazer alianças, mas ainda tem muita dificuldade de praticar essa compreensão que afirma no discurso. Tem dificuldade de apoiar e ser apoiado e isso é um exercício que nós esperamos que evolua no processo eleitoral”, pontuou.

Quando o assunto foi Lídice, PSB, PT e apoio à Alice Portugal, Daniel Almeida deixou claro que “temos dialogado com muitas forças. Com PSB, com PRB, com o próprio PR, com o PMDB, com o PV, com o PPS, com o PTB, temos conversado também com o PT. O arco de contatos é amplo e há possibilidade, sim, de haver uma combinação com o PSB. É até um desejo que pudéssemos ter uma combinação maior, mas não sei que papel a Lídice está imaginando desempenhar nesse processo eleitoral. Fala-se da hipótese dela ser candidata, tem todas as condições, toda a legitimidade para colocar o seu nome. Eu penso que essa hipótese, inclusive, tem potencial grande para alterar certos elementos do processo eleitoral que está em curso, mas não tem nada acertado em conversas com o PCdoB. Se pudéssemos ter o apoio da senadora Lídice da Mata, seria um conforto muito grande, daríamos um (...) extraordinário.”

Avaliando João Henrique, ele concluiu. “O governo João Henrique involuiu ao longo do tempo. Ele começou com um um perfil, no primeiro mandato, representando o sentimento oposicionista, e ao longo da trajetória involuiu para a mediocridade. Mas não dá para corrigir, é coisa do passado, o mal está feito. A gente tem que olhar para frente e perceber os desafios que essa cidade tem para resolver os problemas e quais forças renovadoras podemos mobilizar para dar conta dessa tarefa de cuidar da cidade. Não dá mais para gente repetir experiências como esta, que estamos, felizmente, concluindo, que foi a administração desastrosa de João Henrique”

E quando o assunto foi greve dos professores, postura de Jaques Wagner e interferência no partido nas ações da categoria, o presidente ressaltou que “ as bandeiras que os professores levantam são corretas, os profissionais da educação e a própria educação precisam ser valorizados, o governo tem limites orçamentários que são reais e objetivos e eu penso que não conseguimos dar atenção adequada à negociação. Não há como justificar o ambiente democrático que estamos vivendo sem negociação. Esse é um esforço que deve ser feito. Essa negociação começou a ser feita e houve um mês de contatos, entendimentos e tentativas. Depois que houve a greve é que está havendo dificuldade de retomar, de manter esse ambiente de negociação. Não acredito que seja responsabilidade do governador ou do movimento, acho que deve haver convergência do movimento e do governador”.

Segundo ele, o PCdoB tem uma posição muito clara de apoio e reconhecimento em relação aos avanços que o governo tem alcançado, inclusive nas demandas dos servidores, especialmente na área da educação e da saúde, que são segmentos de grande importância. “Os líderes do movimento podem ter opções partidárias, mas são submetidos às opções democráticas da categoria. Lá no comando, até onde sei, tem participação de filiados do PCdoB, do PT, que não são poucos, filiados do PSB e de outros partidos que estão no governo ou na oposição. O comando não é composto apenas por gente da diretoria da APLB e mesmo nessa diretoria tem filiados de outros partidos e tem pessoas que não são filiadas a partido nenhum.”


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