Política

João Henrique e seus protetores

28 vereadores não querem que as contas de JH sejam votadas em plenário, diz colunista  |  

Publicado em 17/09/2012, às 16h28      Redação Bocão News (Twitter: @bocaonews)


Quem os vereadores pensam que enganam com a encenação criada em torno da não votação das contas rejeitadas de 2010 do prefeito João Henrique? Arrumando as desculpas mais esfarrapadas do mundo? Como a de que em ano eleitoral, não haveria "tranquilidade". Ora, no momento em que deveriam mostrar serviço para o eleitor, a maioria dos vereadores se esconde deixando no ar as piores suspeitas.

Atualmente, tudo se resume a um requerimento que precisa de 14 assinaturas de vereadores para que  o relatório das contas já assinaram: Aladilce Souza (PCdoB), Olívia Santana (PCdoB), Henrique Carballal (PT), Alcindo da Anunciação (PT), Vânia Galvão ((PT), Gilmar Santiago (PT), Marta Rodrigues (PT), Moisés Rocha (PT), Dr. Giovanni Barreto (PT), Andréa Mendonça (PV), Sandoval Guimarães (PMDB), Adriano Meireles (PR) e Paulo Câmara (PSDB). Ou seja, esses estão sintonizados com desejo da população.

Os outros 28 não querem que as contas sejam votadas em plenário, ou seja, de alguma forma protegem o prefeito e aprovam a sua gestão. Estranha, também, é a atitude dos caciques dos partidos aos quais esses senhores e senhoras são filiados. Veja-se o caso do PMDB. O candidato a prefeito Mário Kertész tem batido no prefeito mais do que em mala velha, mas não demonstra interesse (liderança ou convencimento) de determinar aos vereadores da sua coligação que façam o trabalho que a cidade espera. Os dirigentes peemedebistas vão na mesma toada. Alegam respeitar a "independência" dos edis.
Dizem que o partido é democrático, coisa e tal. Mas, quando três deputados da legenda votaram a favor do projeto de reforma do Planserv, essa mesma direção do PMDB os expulsou por terem desobedecido ao partido. Houve ainda as ameaças de expulsão ao vereador Alfredo Mangueira quando ele resolveu aceitar a chefia da Casa Civil na administração de João Henrique, em 2011, porque também contrariava a direção do PMDB.
O caso do candidato ACM Neto (DEM) não difere muito. O DEM lidera a coligação "É Hora de Defender Salvador", formada pelo PTN, PPS, DEM, PV e PSDB. Sua "bancada" na Câmara: Geraldo Júnior (PTN), Carlos Muniz (PTdoB)  e Joceval Rodrigues (PPS), além dos "dissidentes" Téo Senna (PTC) e Jorge Jambeiro (PP), cujos partidos integram a coligação de Nelson Pelegrino (PT). Todos protegendo João.
Pelegrino, apesar de liderar a maior parte dos que assinaram o requerimento em favor do julgamento imediato das contas, tem o apoio de des vereadores que se recusam a assinar: Odiosvaldo Vigas (PDT), Orlando Palhinha (PP), Pastor Luciano (PMN), Laudelino Lau (PP), Léo Kret (PR). Gilberto José (PDT), Isnard Araújo (PR), David Rios (PSD), Dr. Pitangueiras (PSD), Edson da União (PRB). Já o candidato Márcio Marinho (PRB) conta com dois vereadores no Legislativo de Salvador, Tia Eron (PRB) e Sabá (PRB), não assinantes.
Abdicando do papel de fiscalizar o Executivo, como prometeram para ser eleitos em 2008, os 28 vereadores arriscam-se agora ao julgamento do eleitor, desencantado, como na máxima de São Jerônimo: "Transformarás facilmente um amigo em inimigo se não cumprires as promessas".

Matéria originalmente publicada às 08h42 do dia 17/09.

Foto: Roberto Viana // Bocão News
Informações da coluna Tempo Presente, do Jornal A Tarde.

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