Quase R$ 20 milhões por ano, cerca de um milhão e oitocentos mil por mês. Este é o valor do prejuízo deixado pelos empresários de ônibus na gestão João Henrique (PP), quando os impostos não eram pagos e a pasta deixou de arrecadar este montante. "A prefeitura não exercia o papel dela. Os empresários não pagavam os impostos, mas agora estamos cobrando de todos. Quem não pagou vai ter que pagar", disse o secretário de Transportes do município, José Carlos Aleluia, em entrevista concedida ao apresentador Zé Eduardo, no programa do Bocão da Rádio Sociedade, na manhã desta quarta-feira (27).
Aleluia aproveitou a oportunidade para fazer um balanço da pasta, da qual logo pontuou o problema: falta estrutura. "Os carros não são apropiados, os fiScais não usam rádio por não tê-los no veículos, há quadro reduzido de fiscais e eles ainda usam os talões antigos", relatou o secretário. Para ele, um dos grandes fatores que recaem sobre a questão do trânsito e um desafio - além das questões técnicas, são de ordem cultural. "As pessoas precisam entender que as cidades são das pessoas. Há um problema de cultura. Nosso objetivo não é ganhar com as multas e sim educar o cidadão", disse.
Por falar em multa, quando questionado por Zé Eduardo sobre as notificações antigas que têm chegado até o motorista só agora, AleLuia disse que o cidadão terá "todo direito de reclamar se achar que não confere o que foi enviado até ele. Estamos à disposição. Ele tem todo direito de ressaLtar o porque não vai pagar a multa", explicou, informando que o atraso se deu por problemas no sistema, "mas se o cidadão entender que a multa está fora do prazo e não é justa ele pode recorrer e será atendido. Só não podemos arquivar", afirmou.
O secretário disse ainda que está criando a 'multa moral'. Para ele, como não é possível multar todos os infratores, uma campanha será feita para educar o motorista. "O cidadão poderá nos ajudar. Não estamos querendo arrecadar com multas. Mas, os carros não podem virar o inferno da cidade", ressaltou.
Sobre as blitzen, Aleluia disse que há o apoio do Detran - que disponibiliza alguns bafômetros, "mas precisamos comprar um aparelho mais moderno. Contamos ainda com o apoio da Polícia Militar. O certo é que além da alcoolemia, vamos tentar descongestionar pontos críticos como a região do Iguatemi e devemos fazer da região da rodoviária uma grande estação", afirmou o secretário, se colocando contra a mudança da estação para Simões Filho.
De buzú
No último dia 24, o secretário municipal de Transportes, José Carlos Aleluia, e assessores entraram em um ônibus e percorreram pontos críticos do trânsito de Salvador. A ideia é debater os problemas e eventuais soluções imediatas "in loco". A caravana foi às estações Pirajá e Lapa, além das avenidas Juracy Magalhães e Paralela.
Entre os milhões que deixaram de ser repassados para a prefeitura e que niguém sabe onde o dinheiro foi parar, uma estrutura que deixa a desejar e trânsito cada vez mais caótico, o desafio para Aleluia será, sem dúvida, um dos maiores da gestão de ACM Neto (DEM).
Matéria publicada no dia 27 de fevereiro de 2013, às 11h16
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