A longa sessão na Câmara dos Deputados ocorrida em dois dias em Brasília para votar a MP dos Portos gerou uma série de alterações compiladas, enfim, no texto final da matéria que estabelece o novo marco regulatório da exploração dos portos no Brasil. A grande batalha entre governo e oposição e até mesmo dentro da base de Dilma Rousseff, gerou mudanças essenciais após uma série de embates nos dois dias de sessão. Questionado sobre o fato pelo apresentador Raimundo Varela durante o programa “Balanço Geral” desta quinta-feira (16), o vice-governador da Bahia e secretária estadual de Infraestrutura, Otto Alencar, relatou irritação com a longa disputa e disse que os deputados federais não tiveram “espírito patriótico e cívico” e que brigaram para contrariar os interesses nacionais.
Otto se mostrou especialmente chateado com as atitudes que, no seu entendimento, visavam unicamente “reserva de mercado” da atividade portuária. Para o secretária, a reserva de mercado é uma atividade predatória e que atenta contra os movimentos de modernização infraestrutural e o desenvolvimento nacional. “Reserva de mercado é uma atitude que atenta contra os interesses nacionais. A Câmara de Deputados não agiu pelos interesses nacionais”, acusou.
Entre as emendas que estavam propostas, uma dela era particularmente danosa ao governo. Com ela, os estados poderiam manter a autonomia em processos de licitação e convocar seus próprios pleitos para administração portuária. Se fosse aprovada, a medida provisória poderia, por exemplo, beneficiar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que pretendia manter sob sua chancela as licitações do Porto de Suape e, posteriormente, capitalizar politicamente com o fato.
As brigas nas emendas fizeram com que muitos governistas se unissem à oposição para evitar a votação da MP. O mais aguerrido foi o líder do PMDB na Casa, Eduardo Cunha (RJ). Para demover o deputado de sua decisão de afrontar a base, foram escalados pelo Planalto para barra-lo o vice-presidente da República, Micel Temer. Em outra frente, os líderes do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do PT, José Guimarães (CE), se desdobravam no plenário para convencer os integrantes da base governista a votar de acordo com a orientação do governo.
Nota originalmente postada às 15h do dia 16
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