A III Conferência Municipal da Igualdade Racial foi aberta na noite desta quarta-feira (3), no Centro de Convenções pelo prefeito ACM Neto (DEM). O evento na capital com o maior número de negros do País vai até a próxima sexta-feira (5). Em conversa com o Bocão News, o prefeito garante que ações para a população negra estão sendo fortalecidas dentro da prefeitura.
“Nós estamos fortalecendo o Observatório da Discriminação Racial, que já é permanente, mas que precisamos dar mais estrutura e condições de trabalho. Estamos instituindo uma política de combate ao racismo institucional, ou seja, vamos permitir que uma ação afirmativa seja feita dentro da própria prefeitura para evitar qualquer tipo de discriminação nas diversas áreas”.
O prefeito ainda salientou a necessidade de aumentar o orçamento da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), comandada pela professora Ivete Sacramento, a qual o democrata encheu de elogios. “Estamos nos organizando para que no ano que vem a Semur tenha um orçamento mais robusto para dar amplitude a essas políticas. Essa é uma prioridade nossa e está no foco das nossas atenções, além da condução muito competente e eficiente da secretária Ivete Sacramento”.
No âmbito estadual, o secretário de Promoção da Igualdade Racial, Elias Sampaio, elencou também ações para a população negra, através da pasta criada no governo Wagner. “Nossa agenda é infindável, pois nós temos que desconstruir 500 anos de racismo e a secretaria tem feito várias políticas nesse sentido, como a construção das Conferências Municipais e da Estadual. Do ponto de vista interno temos projetos emblemáticos, como a implantação da Rede de Combate ao Racismo e Contra a Intolerância Religiosa que reúne 21 órgãos estaduais e sete entidades da sociedade civil que vão trabalhar em rede para estes fins”.
Sampaio ainda ressaltou a implantação do Centro de Referência de Combate ao Racismo e Contra a Intolerância Religiosa e ações transversais voltadas para as comunidades quilombolas, de terreiro e para outras tradicionais. De acordo com o secretário, a Sepromi tem um orçamento também pequeno por ser de articulação e não de execução.
“Quanto mais orçamento tem uma secretaria, mais ela tem capacidade de dar respostas às demandas e no caso da Sepromi não é diferente, apesar de termos uma diferença, pois somos uma secretaria de articulação e não somos de execução, portanto o nosso orçamento está associado à capacidade de criar e fomentar ações em outras secretarias”, explica Sampaio.
Figura conhecida no Pelourinho, o comerciante Clarindo Silva ressaltou que mais ações de combate às drogas precisam ser criadas, já que muitos negros sofrem com a “epidemia”. “Se analisarmos friamente, o nosso País está vivendo uma epidemia que é a do crack e se olharmos no senso comum podemos perceber que os afrodescendentes jovens são as piores vítimas. Os governantes ainda não acordaram e muita gente ainda acha que isso é caso de polícia, mas não é. Isso é questão de saúde pública. A partir daí é preciso trabalhar com o usuário e com a família dele para que assim possamos sair dessa epidemia”.
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