O líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, Paulo Rangel, negou que os deputados de seu partido tenham chegado a qualquer decisão sobre a presidência da Casa. Diferente do que foi noticiado nas últimas horas, o parlamentar, que representa o partido no legislativo estadual, foi taxativo ao afirmar que não há entendimento ainda.
“Estas coisas costumam ser resolvidas aos 47 minutos do segundo tempo”, disse Rangel à reportagem do Bocão News. De acordo com ele, os petistas continuam acreditando que a segunda reeleição do pedetista é inconstitucional, apesar de reconhecerem a brecha que há na lei.
Rangel ressalta que os deputados petistas não estão convencidos de que um terceiro mandato de Nilo seja positivo para a Assembleia Legislativa. “Isto não é uma questão pessoal. Quero deixar claro que não temos problemas dessa natureza com Marcelo, mas acreditamos que três mandatos é de mais”, declarou.
Os petistas defendem o direito do partido de indicar o presidente por ter o maior número de deputados na próxima legislatura. “Não estou afirmando que nós não vamos apoiar Marcelo, mas a questão não está fechada. Nós marcamos uma reunião para a próxima quinta-feira (27), às 9h, para tentar chegar alguma solução”, disse.
Para o deputado feirense, Zé Neto (PT), a atitude de Marcelo Nilo de “vazar” informações para a imprensa como se estivesse tudo resolvido “não ajuda, acirra os ânimos e é uma estratégia equivocada”.
Governador
Na cerimônia de assinatura de posse de cinco novos secretários, realizada na última semana, na Governadoria, a presença de Marcelo Nilo (PDT), único deputado, foi logo notada. No evento, estavam alguns prefeitos petistas. Mais que isso, Nilo posicionou-se junto com os novos secretários, sendo o único além do governador no local.
Wagner chegou a brincar com a situação ao declarar: “Marcelo Nilo, você não é secretário mais tem status para estar aqui sobre o palanque”.
Como chefe do Legislativo baiano, a presença de Nilo não causaria maiores reações não fosse a pressão que o PDT tem feito sobre o governador por mais cargos no primeiro escalão.
A despeito do clima supostamente harmonioso entre o governador e o parlamentar pedetista, a temperatura nos bastidores não é das mais amenas. Isto porque, a bancada petista não se mostra favorável ao terceiro mandato de Nilo.
No entanto, comenta-se que Wagner esteja trabalhando para convencer o PDT de que o apoio e garantia da presidência na Assembleia equivale a uma secretaria no Executivo. Por outro lado, o presidente estadual do PDT, Alexandre Brust, não aceita contabilizar o cargo do legislativo nas negociações com do partido com Wagner.
Segundo Paulo Rangel, em nenhum momento Jaques Wagner procurou a bancada petista para falar em apoio ou combate à candidatura de Nilo. “O governador não nos procurou e tem nos deixado muito à vontade para tomar as decisões enquanto grupo, bancada de sustentação do governo”, disse.
Diretório Estadual
Se o governador tem evitado, ao menos publicamente, entrar na discussão pela presidência da Assembleia, o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, resolveu sair dos bastidores e partir para o campo.
Em declarações atribuídas ao dirigente petista publicadas em diversos sites locais, o presidente teria afirmado que trabalha para promover no legislativo o mesmo que foi conseguido na União dos Municípios da Bahia (UPB), ou seja, chapa única.
Segundo Marcelo Nilo, em uma reunião realizada na noite de segunda-feira (24), o presidente do PT teria afirmado apoio à sua candidatura, ressaltando no entanto a necessidade de levar a proposta bancada. Ainda segundo Nilo, a primeira e a quarta secretaria da Mesa Diretora foram oferecidas ao PT.
Deputados petistas ouvidos pela reportagem do Bocão News rechaçaram a participação de Jonas Paulo nas negociações do Legislativo. De acordo com o líder Paulo Rangel, Jonas Paulo não foi autorizado para falar em nome da bancada. "Se ele estiver fazendo isso, ele não está sendo leal com a bancada”, alfinetou Rangel.
Ainda de acordo com o parlamentar, cabe a Jonas Paulo negociar outras questões com a direção do PDT e não com deputados. “Acho isso muito perigoso”, concluiu
A reportagem do Bocão News tentou entrar em contato com o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, diversas vezes, mas não teve as suas ligações atendidas
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