Política

Ministro da Justiça pensa em importar UPPs para a Bahia

Em reunião com o governador Jaques Wagner, Cardozo discutiu a integração das ações entre estado e União  |  

Publicado em 26/01/2011, às 22h25      Luiz Fernando Lima

Foto: Edson Ruiz// Bocão News


 O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, participou de uma reunião com governador Jaques Wagner e sua equipe de segurança pública e justiça, no final da tarde de quarta-feira (26), na governadoria. Na pauta está a proposta do Governo Federal de promover a integração das políticas de combate à violência, ao crime organizado e às drogas.

De acordo com Cardozo, uma agenda de trabalho foi montada na tentativa de promover esta integração entre estado e União. “Posso dizer que estou otimista por sentir que o governador Jaques Wagner tem um firme propósito, junto com o governo federal, de enfrentarmos a questão da criminalidade, da violência e do combate ao crime organizador. Parece claro que a questão exige uma junção de esforços, atuando como parceiros, integrando as estratégias, as ações, integrando a Polícia Civil e Militar com a Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal”, afirmou.

Para o ministro, apesar da necessidade de integração é preciso que as características de cada região sejam analisadas com mais cuidado. Por outro lado, Cardozo também defende o aproveitamento de programas de governo que deram resultados positivos em outros estados.  “Esta é uma postura do Ministério da Justiça. A experiência da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) ou os Territórios da Paz, que existe aqui na Bahia, são ações positivas. Temos que implementar ainda mais os territórios da paz. O Pacto da Vida, de Pernambuco, traz importantes inovações da gestão da informação e também deve ser aproveitado ”.

O próximo encontro está marcado para a próxima quarta-feira (2), em Brasília. Na oportunidade, a secretário nacional da Justiça, Paulo Abrão, entre outros representantes do governo federal e estadual, como o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa devem avançar nas discussões para iniciar os trabalhos efetivamente. “Vamos fazer uma série de reuniões técnicas, já marcamos a primeira para semana que vem em Brasília. Eu tenho certeza que neste próximo período o povo baiano terá ações cada vez mais competentes, mais firmes e eficazes no plano que nos orienta”, concluiu.

Quando questionado sobre a PEC 300, Proposta de Emenda Constituição que prevê o estabelecimento de um piso salarial para os policiais que tramita no Congresso Nacional, mas que está parado devido ao lobby de diversas autoridades, inclusive, Jaques Wagner, Cardozo disse que nos moldes atuais ele é contra.

“Não há ninguém no país que acredite que não se deva pagar bem às autoridades policiais. A elevação é de vital importância, mas isso precisa ser feito na realidade e não com bases não exequíveis. Propostas irrealistas vendem apenas ilusões e não faremos aventuras nesta área. Precisamos discutir a realidade de cada estado. O que posso dizer é que nenhuma proposta que seja irreal e que arrebente financeiramente os estados e a União deve ser defendida exclusivamente por demagogia. O que existe é a necessidade de nós planejarmos isso”, criticou.

A Bahia foi o quinto estado visitado por Cardozo. O ministro está visitando todos os governadores com o objetivo de alinhar as políticas públicas de segurança. Ele já esteve em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco. 

Bahia

Também presente na reunião, o novo secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa, afirmou que a grande mudança entre a sua gestão e as anteriores está na criação de um Programa de Segurança Pública. De acordo com ele, a ideia é de integrar todas as secretarias. “Dentro desta integração nós temos ações de policiamento preventivo. É ai que entram as Bases Comunitárias de Segurança chamadas de UPP no Rio de Janeiro”, revelou.

Barbosa destacou ainda que serão obtidos recursos federais para investimentos no estado. Outra ação  prevista neste programa estadual é a criação de novas delegacias de homicídios, e outras especializadas no combate as drogas. Atualmente, em todo o estado são apenas três delegacias dedicadas exclusivamente nisto.

Para o secretário, o aumento da violência na Bahia se deve “basicamente ao aumento do narcotráfico, o crack invadiu não só em Salvador, mas todas as cidades do Brasil. O combate a ele está na nossa linha de frente, para que possamos diminuir as rivalidades entre as quadrilhas e os acertos de contas entre traficantes”, disse.

Questionado sobre a corrupção dentro da polícia, o secretário foi taxativo ao defender que as corregedorias devem agir de forma enérgica e dedicada. “Dentro deste programa para a segurança pública nós temos uma vertente que é a Academia de Policia, que trabalha na formação deste policial e outra na Corregedoria de Policia para evitar os abusos e para tirar esta visão de que a polícia não tem controle. Nós temos que fortalecer o sistema correcional, temos ainda que criar nas nossas corregedorias a mentalidade de se especializarem e terem vontade efetiva de extirpar de seus próprios quadros aqueles policiais que cometam algum crime ou  qualquer outra infração”, concluiu.

Fotos: Edson Ruiz e Aristeu Chagas // Bocão News

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