Política

Sufocada financeiramente, Lídice preferiu não jogar a toalha

"Empresários têm medo de fazer doações às claras não sendo candidaturas do governo"  |  

Publicado em 30/09/2014, às 09h21      David Mendes (Twitter:@__davidmendes)

Inquirida mais uma vez pelo adversário Marcos Mendes (Psol) no debate da Record Bahia sobre o recebimento de recursos do Grupo JBS, dono da marca Friboi, a postulante Lídice da Mata (PSB) se irritou com o assunto e questionou ao pessolista por que também não citava os outros dois principais adversários – Rui Costa (PT) e Paulo Souto (DEM).

“Já participei de seis debates e é sempre a mesma pergunta. Tentei apenas demonstrar que isso era uma manobra”, afirmou, durante entrevista ao Bocão News na saída do encontro televisivo
, na última sexta-feira (29).

Apesar de tentar justificar a postura no debate, a irritação de Lídice sobre o tema não está relacionada apenas a questionamentos sobre seus patrocinadores. A falta de doadores para sua campanha também passou a tomar a atenção da senadora desde a morte do ex-governador e presidenciável Eduardo Campos, seu fiador.

“Nós ficamos de dez a 12 dias sem poder movimentar recursos, nacionalmente, até encerrar as contas de Eduardo, juridicamente, e iniciar a conta de Marina [Silva]. Mesmo depois de lançar a candidatura de Marina, ainda levamos algum tempo para constituir o comitê financeiro, o que prejudicou muito a nossa campanha”, explicou.

Apesar de estar estacionada na terceira posição, com 9% das intenções de votos, conforme últimas pesquisadas divulgadas, esse não seria o único motivo que teria dificultado a captação de recursos para sua campanha, principalmente de empresários baianos.

“Historicamente a Bahia, mesmo nesses novos tempos aí destacados, os empresários têm medo de fazer doações às claras não sendo candidaturas do governo. Não sem bem por que, talvez pela tradição de perseguição que os governos da Bahia tiveram. E nem sempre se pode confiar que estão isentos de terem comportamentos nocivos de outras vezes, seja a prefeitura [de Salvador], seja o governo do Estado. Os empresários ficam muito inibidos de terem que contribuir”, avaliou.

Para Lídice, que arrecadou até o momento R$ 2,5 milhões, conforme prestação de contas à Justiça Eleitoral, R$ 1,4 milhão apenas do grupo JBS, via Diretório Nacional, a eleição deste ano "deixa claro" que o atual modelo político-eleitoral do Brasil se esgotou, já que demonstrou a incapacidade de garantir a igualdade de condições na disputa.

“Geralmente só conseguimos contribuições de empresas que são tão grandes que possam ter mais independências dos níveis governamentais. E, principalmente, sendo assim, vocês podem ver que quem contribuiu com uma candidatura contribui com todas. É como tivessem dando um recado aos governos: ‘nós estamos contribuindo com eles, mas bem menos que com vocês’. Então, esse é o jogo do poder, do processo de contribuições privadas na campanha eleitoral”, disse.

Apesar de sua campanha passar por dificuldades financeiras e sua candidatura estar estacionada na terceira colocação na corrida ao Palácio de Ondina, Lídice garante que não jogou a toalha.

“Por isso mesmo eu mantenho a minha candidatura e a esperança que o povo baiano, que tem uma tradição enorme de luta democrática, compreenda o caminho que estamos trilhando. Um caminho de uma nova política, de construir na Bahia e de fazer pela Bahia o que o PT e o DEM não conseguiram fazer”.



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Publicada no dia 29 de setembro de 2014, às 18h02

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