Política

“A pobreza de Salvador vem para a avenida”, diz Aladilce ao criticar a desigualdade entre ambulantes e camarotes

"Carnaval, que é essa grande festa de alegria, de folia, tem esse lado triste” diz Aladilce ao destacar a desigualdade sofrida pelos ambulantes  |  Vagner Souza/BNews

Publicado em 19/02/2025, às 11h23   Vagner Souza/BNews   Rebeca Santos e Maurício Viana

Durante a audiência pública "Carnaval das Contradições", realizada pela Câmara Municipal de Salvador nesta quarta-feira (19), a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) fez críticas à condição de trabalho dos ambulantes durante os dias de festa.

“Nós estamos discutindo aqui na Câmara Municipal a situação desses trabalhadores e trabalhadoras. São centenas de pais e mães de família que vão para a avenida no Carnaval para garantir algum dinheiro, algum recurso para a sobrevivência. Eles precisam ser olhados com um olhar de solidariedade e dignidade, oferecendo um pouco de conforto. Eles não estão pedindo muito”, afirmou.

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Aladilce também aproveitou para enfatizar os desejos e pedidos dos trabalhadores, que buscam um pouco de conforto durante o trabalho.

“Eles pedem um lugar, um centro de convivência para trocar de roupa, uma refeição que lhes dê condições de renovar as forças. E ficam como cordeiros, trabalhando 18 horas por dia na avenida. As ambulantes e os ambulantes, que em sua maioria são mulheres, vão para a avenida 10 dias antes do Carnaval, ficam durante toda a festa e praticamente passam o mês todo nas ruas, levando filhos e crianças, que ficam acondicionadas ali. Então, é muito triste. O Carnaval, que é essa grande festa de alegria e folia, tem também esse lado triste”, explicou.

A parlamentar também destacou a desigualdade que o período festivo expõe, com altos faturamentos de camarotes de um lado, e as dificuldades e a exaustão dos trabalhadores do outro.

“Eu digo que a pobreza de Salvador vem para a avenida, vem para o Carnaval, junto com a alegria. E nós precisamos ter um olhar de compaixão, de solidariedade. A Prefeitura pode, sim, dar uma condição melhor a essas pessoas. A Prefeitura, por exemplo, reduziu o ISS dos camarotes: de 5%, passaram a pagar 2%, como forma de beneficiar esses empresários que faturam milhões. Um camarote, por exemplo, no ano passado, movimentou mais de R$ 150 milhões. Por que esses camarotes precisam de subsídio? O município precisa renunciar à receita? Então, se é possível renunciar à receita para beneficiar esses empresários, a Prefeitura pode, com muito menos, dar conforto e tratar dignamente esses trabalhadores. Eles não pedem muito, mas o que pedem é justo, e nós estamos aqui, vereadores e vereadoras, para fortalecer esse pedido”, afirmou.

Além disso, ela também criticou a exclusividade de marcas durante o período das festas, acreditando que essa prática prejudica a economia e o fluxo de mercado.

“Uma outra questão que precisamos analisar é a exclusividade de marcas no Carnaval. Acredito que esse modelo está superado, porque reduz a concorrência entre as marcas, centraliza o mercado e diminui as possibilidades de blocos e até camarotes buscarem patrocínios diversos. Os ambulantes são obrigados a vender produtos apenas de uma marca, o que limita suas opções, reduz a margem de lucro e obriga o consumidor a consumir aquelas marcas. Então, acho que precisamos rever isso e fazer uma avaliação. Esse modelo deu certo? Acredito que não”, afirmou.

“Além disso, o Carnaval é uma vitrine para o mundo todo. Estamos fazendo propaganda gratuita para essas marcas, sem nenhuma contrapartida. Então, estamos aqui para apoiar, discutir e propor mudanças para que o Carnaval seja realmente essa festa diversa, mas que o lucro também beneficie essa parcela de trabalhadores. O nosso lema é 'Trabalho Legal no Carnaval'”, completou.

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