Política
Publicado em 29/09/2026, às 17h30 Reprodução / Redes Sociais Cauan Borges
O advogado Willer Tomaz movimentou aproximadamente R$10 bilhões em apostas na Blaze ao longo de 2025, ao considerar os valores ganhos e perdidos durante o período. Segundo informações divulgadas pelo colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, nesta terça-feira (29), as perdas chegaram a R$163 milhões em apenas um ano.
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Ainda segundo Vecchioli, o advogado recorreu à Justiça para tentar recuperar parte do dinheiro, e alega que desenvolveu dependência em jogos e que a plataforma teria adotado práticas que estimularam suas apostas.
Os dados apresentados no processo mostram que Willer ganhou R$4,8 bilhões em jogos de cassino durante 2025, enquanto perdeu R$4,963 bilhões nas mesmas modalidades. Nas apostas esportivas, o resultado foi positivo em R$39 mil.
Exclusivo: O advogado Willer Tomaz movimentou R$ 10 BILHÕES em apostas online só no ano passado e só na Blaze.
— Demétrio Vecchioli (@demetriovec) September 29, 2026
Sozinho perdeu R$ 163 milhões, cerca de metade do lucro que a Blaze mandou para um paraíso fiscal no passado.
Agora, entrou na Justiça pedindo a devolução do dinheiro.…
No entanto, a diferença entre os valores registrados nos jogos de cassino resultou em um prejuízo líquido de aproximadamente R$163 milhões para o advogado durante o período analisado. A relação de Willer com a Blaze chegou a um dos níveis mais altos do programa de fidelidade da plataforma. O advogado alcançou o nível 171 e passou a contar com atendimento exclusivo de um funcionário da empresa, que mantinha contato direto com ele pelo WhatsApp.
Antes de receber o tratamento VIP, Willer apresentou extratos bancários para comprovar renda, incluindo documentos que mostravam repasses milionários de escritórios de advocacia e de uma emissora de televisão do Maranhão.
As apostas também envolviam valores elevados em períodos relativamente curtos. Em 29 de julho, por exemplo, Willer jogou durante aproximadamente duas horas, entre 2h e 4h da madrugada. Nesse intervalo, realizou 11 depósitos de R$ 100 mil e perdeu todo o montante após centenas de giros de roleta, com apostas individuais superiores a R$ 50 mil.
A movimentação continuou em 2026. Na manhã de 19 de janeiro, Willer depositou R$ 500 mil na Blaze e, cerca de meia hora depois, realizou saques que totalizaram R$ 1 milhão, divididos em dez operações. Durante a tarde, recebeu R$ 325 mil em bônus de fidelidade, prática apontada como proibida pela legislação, e gastou o valor em aproximadamente cinco minutos.
Ainda no mesmo dia, o advogado voltou a apostar e perdeu R$ 725 mil durante a noite. A data também ficou marcada por uma viagem de retorno dos Estados Unidos ao Brasil, realizada no jatinho de Willer, que levou como passageiro o senador Flávio Bolsonaro (PL). A relação entre os dois ganhou repercussão nas últimas semanas após informações sobre viagens internacionais, hospedagens e eventos realizados em imóveis ligados ao advogado.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Flávio Bolsonaro teria ficado hospedado em um apartamento de Willer em São Paulo e realizado a festa de aniversário da filha em uma casa do advogado em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Os dois também teriam viajado juntos ao exterior em cinco ocasiões durante 2025. A proximidade entre o senador e o advogado passou a ser alvo de atenção em meio às investigações que envolvem outros negócios e relações de Willer.
As conversas anexadas ao processo mostram que Willer mantinha contato direto com um funcionário da Blaze responsável pelo atendimento de sua conta. Em janeiro de 2025, o advogado reclamou da exigência de reconhecimento facial para realizar saques de R$ 100 mil e afirmou que o procedimento dificultava suas operações.
Todos os saques estão pedindo reconhecimento facial. Isso dificulta muito, amigo”, escreveu ao funcionário.
Após receber a informação de que a exigência fazia parte da nova regulamentação federal, Willer pediu que a plataforma de apostas aumentasse o limite permitido para os saques: "Meu Deus. Então aumenta o limite para saque, para R$ 500 mil por saque. Senão irá inviabilizar o tamanho do meu jogo. Esse reconhecimento facial está demorando até um minuto”, afirmou durante a conversa com o funcionário responsável pelo atendimento.
Na sequência, o concierge da Blaze apresentou uma alternativa para evitar o procedimento: “Você não vai mais ser amolado com o reconhecimento facial, então você pode fazer quantos pedidos [de saque] quiser”, respondeu.
Segundo as informações divulgadas na reportagem, a solução oferecida ao advogado contrariava as regras estabelecidas pela regulamentação federal que havia entrado em vigor. Willer também argumentava que o volume de dinheiro movimentado fazia dele um cliente especialmente importante para a plataforma.
Duvido que exista alguém no mundo que tenha te dado mais lucro do que eu. Acho que nem mesmo meu amigo Njr”, escreveu ao funcionário, em provável referência ao jogador Neymar Jr., garoto-propaganda da Blaze.
O advogado chegou ainda a perguntar sobre a possibilidade de receber uma linha de crédito semelhante à utilizada por clientes de cassinos de Las Vegas: “As autoridades reguladoras estão me questionando, assim como os bancos. Existe alguma solução? Talvez criar uma linha de crédito para fazer uma única transação mensal? Assim como faço com os cassinos em Las Vegas. Tenho uma grande linha de crédito com cassinos como o WYNN e outros”, afirmou.
A intensidade das apostas diminuiu a partir da primeira semana de março, situação percebida pelo funcionário responsável pelo atendimento da conta. Questionado sobre a mudança, Willer afirmou que estava insatisfeito com a demora na liberação dos saques e que havia ficado preocupado após analisar os números apresentados pela própria Blaze sobre sua movimentação.
Os números são extremamente altos, tanto em termos de movimentação quanto de perdas. Considerando o nível de atividade da minha conta, eu esperava, na verdade, algum tipo de verificação ou sugestão relacionada ao jogo responsável por parte da plataforma”, reclamou o advogado em março deste ano.
O relatório apresentado pela Blaze apontou que Willer ganhou R$ 4,8 bilhões em jogos de cassino durante 2025 e perdeu R$ 4,963 bilhões. O resultado representou uma perda líquida de R$ 163 milhões. Nas apostas esportivas, o advogado registrou lucro de R$ 39 mil, enquanto os depósitos realizados ao longo do ano chegaram a R$ 300 milhões e os saques totalizaram R$ 137 milhões.
Quatro dias depois de receber o relatório com os dados de sua movimentação, Willer já havia preparado uma ação judicial contra a Blaze. Antes de protocolar o processo, o advogado procurou a empresa e chegou a propor um acordo para que a plataforma devolvesse 70% do valor perdido durante o período. Na ação, a defesa sustenta que o funcionamento da plataforma teria contribuído para a manutenção das apostas.
O caso é baseado na forma como o sistema efetivamente funcionava na prática — especialmente na assimetria entre depósitos e saques, na retenção e reversão reiteradas de solicitações de saque, nos obstáculos operacionais que mantinham os recursos dentro da plataforma, nos incentivos vinculados às perdas e na ausência de medidas eficazes de jogo responsável, apesar do volume extremamente elevado de movimentações”, explicou Willer.
A ação foi protocolada na 44ª Vara Cível de São Paulo e apresentou uma nova alegação em relação às conversas anteriores entre o advogado e a Blaze. No processo, Willer passou a afirmar que sofre de dependência em jogos de azar e que o comportamento registrado ao longo do período seria resultado de um quadro de ludopatia.
O ex-ministro Eugênio Aragão, sócio de Willer e responsável pela defesa no processo, classificou o padrão de apostas apresentado nos documentos como compatível com um quadro grave de dependência: “Não existe leitura possível desse padrão [de apostas] que não seja a de jogo patológico em grau extremo”, argumentou Aragão nos autos.
Para sustentar a alegação, a defesa anexou ao processo um laudo assinado em julho pelo psiquiatra Diego Canelhas. O documento afirma que Willer estava “iniciando tratamento” e registra que o médico analisou documentos apresentados pelo paciente sobre o volume de dinheiro movimentado em apostas.
O relatório médico também aponta que os valores envolvidos nas apostas seriam suficientes para demonstrar a dimensão do comportamento registrado. O documento afirma que os montantes “falam por si só sem precisar de muito raciocínio”.
Em relatório da Polícia Federal que serviu de base para uma operação realizada em 4 de agosto, Willer foi descrito como “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” de pessoas investigadas por suposto envolvimento com a chamada Máfia do INSS. A investigação e a ação contra a Blaze fazem parte de contextos distintos, embora os documentos sobre o advogado tenham passado a ser analisados em diferentes frentes.
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