Política
Publicado em 04/11/2026, às 08h00 - Atualizado às 08h37 Fernando Frazão / Agência Brasil Anderson Ramos
Há 57 anos, um dos mais conhecidos ícones da luta contra a ditadura militar era morto numa emboscada policial em São Paulo. Naquele 4 de novembro de 1969, Carlos Marighella se tornou uma das vítimas do regime militar brutal que assolou o Brasil, e que ainda hoje ainda tenta ser ressuscitado.
Ele não viu sua neta, Maria Marighella nascer, mas ainda assim, os dois têm muito em comum além do mesmo sangue. Nas eleições deste ano, Maria foi eleita para o mesmo cargo ao qual o avó já tinha conseguido conquistar oito décadas antes. Em 1946, o guerrilheiro foi eleito deputado federal constituinte pela Bahia pelo Partido Comunisa Brasileiro (PCB).
“A Bahia de novo vai dar uma Marighella ao Congresso Nacional. Lembrar que Marighella foi um deputado constituinte de 46, uma constituinte muito importante no mundo muito polarizado e representou ali naquela bancada importantes pautas que hoje são consideradas como vitórias. Acho que isso não é apenas um símbolo, isso representa as lutas que o povo brasileiro ainda quer enfrentar”, disse a deputada federal eleita em entrevista ao BNews.
Inspirada no avô, Maria projeta que a pauta e maior importância de seu mandato será a defesa da soberania, tema caro ao presidente reeleito Lula(PT) e que foi bastante abordado durante a campanha eleitoral.
Ser Marighella é defender o Brasil. Citando o presidente Lula, o Brasil não cabe no quintal de ninguém. Acho que a defesa das nossas terras, a defesa da nossa indústria, a defesa da nossa biodiversidade, a defesa da nossa cultura, a nossa soberania digital, a agenda da pesquisa, da educação pública, do pensamento crítico. Acho que lembrar Marighella, antes de tudo, é enfrentar os grandes temas”, frisou.
Ex-vereadora, atriz e até pouco tempo atrás presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte), Maria Marighella garante que além da já citada defesa da soberania, o seu mandato será pautado por vários temas, e claro também pela cultura.
Ela avalia que os 108.870 votos que teve mostra a amplitude do seu eleitorado, que na avaliação dela, reivindica uma posição política e pública de enfrentamento à extrema-direita no país.
“Isso vai se manifestar numa proteção e num apoio radical a um tipo de vida que seja promotor e protetor das vidas, e aí eu falo das mulheres, das crianças, de uma relação com a cidade, com os territórios acolhedores, afetuosos, que tenha uma agenda de segurança pública, mas não uma segurança que arma a população, mas uma segurança que protege, que acolhe, que abraça, que reduz desigualdades, que enfrenta a concentração de riqueza, que expõe a relação do capital com uma política de ódio mandonista, autoritária”, resumiu.
“Essa é uma das expectativas que a gente pode cumprir, além por óbvio das contribuições que nós já fazemos e somos parte da construção das políticas culturais do Brasil, da Bahia. As pessoas esperam que a cultura também seja lida e vista como um vetor do desenvolvimento socioeconômico brasileiro, baiano e essa votação muito expressiva também trata de uma política cultural que hoje, por meio da política nacional Aldir Blanc está nos 417 municípios da Bahia, e nos mais de 5.500 municípios do Brasil”, acrescentou.
Marighella prevê um cenário difícil na relação do presidente Lula com o Congresso Nacional neste quarto mandato. A votação em massa de parlamentares do Partido Liberal (PL), legenda do candidato derrotado Flávio Bolsonaro, (foram 121 deputados e 19 senadores) vai exigir muito jogo de cintura do mandatário, mas a deputada petista aposta na mobilização como trunfo para a aprovação de matérias importantes para a população.
“Fomos às ruas denunciar pautas antipopulares, mas o Congresso também foi responsável pela aprovação do fim da escala 6 x 1. Quando nós andamos com o povo, quando nós pautamos com o povo às nossas agendas, elas são vitoriosas e é essa a aposta que nós precisamos fazer”, afirmou.
Ela acredita que os movimentos de rua que ajudaram a virar o jogo da eleição e reeleger Lula, precisam se manter de prontidão para agir sempre que necessário.
“O grande personagem dessa eleição foi o povo. A gente precisa entender que quem vai fazer as vitórias necessárias no Brasil não são só os movimentos sociais, mas sobretudo a população que sai fortalecida da sua responsabilidade de atuar de maneira permanente. Mobilização permanente, é nessa força que a gente acredita”, pontuou.