Política
Publicado em 06/11/2026, às 06h30 Devid Santana / BNEWS Anderson Ramos
O último parágrafo da longa e excelente reportagem da revista piauí sobre as sucessivas vitórias do PT da Bahia trouxe uma informação valiosa, da qual até então pouco se ouviu falar. Segundo a matéria assinada pela repórter Camille Lichotti, Rui Costa já é pré-candidato ao governo para a eleição de 2030.
A revelação não causa espanto para quem acompanha os bastidores da política baiana, mas não deixa de ser importante por mostrar que a disputa pela sucessão de Jerônimo Rodrigues vai se assemelhar, guardadas as devidas proporções, à sucessão de Lula na esfera federal.
Quer queira, quer não, Rui é, ao lado de Lula, o político mais popular na Bahia, e a votação expressiva dele na eleição para o Senado, quando teve 4.335.196 votos - a maior da história para o cargo no estado - só prova o quanto ele é bem avaliado pelo eleitorado local.
Muito próximo de Lula, Rui chegou a ser cotado como seu sucessor, mas perdeu espaço durante a campanha para os também nordestinos Camilo Santana, ex-governador do Ceará, e o governador reeleito do Piauí Rafael Fonteles - este último um nome em ascensão no PT. Fora da Casa Civil, ele tenta se viabilizar em alguma pasta do primeiro escalão da Esplanada dos Ministérios.
Correndo por fora como nome ao Palácio do Planalto, o ex-ministro surge de forma natural como candidato ao cargo que já ocupou por oito anos. Resta saber se ele vai querer bancar o desafio.
Aliado a isso, Jerônimo ainda não tem - o que é natural a esta altura - um nome seu para indicar à próxima disputa pelo Palácio de Ondina. Vale lembrar que o próprio Jerônimo só foi escolhido nos acréscimos do segundo tempo para disputar as eleições de 2022.
O nome que desponta como o mais forte do momento é o de Adolpho Loyola, secretário de Relações Institucionais, um quadro ligado ao senador Jaques Wagner. A eventual indicação dele corre o risco de soar mais como uma escolha do senador do que do governador.
Diante do cenário de impasse que se projeta no futuro não tão distante assim do PT baiano, no qual uma parte da legenda deseja renovação e outra defende o pragmatismo para manter a hegemonia de mais de duas décadas, pode surgir espaço para que algum partido aliado assuma a cabeça de chapa.
Apesar de parecer difícil de imaginar que o PT abra mão do governo, isso quase aconteceu na eleição passada. A reportagem da piauí lembrou que a vaga foi ofertada a Otto Alencar, presidente estadual do PSD, que recusou a proposta por motivos de saúde, e preferiu concorrer ao Senado, onde está até hoje.
Antes disso, o PT e o grupo de oposição liderado por ACM Neto (União Brasil) vão se enfrentar em 2028 na batalha pela Prefeitura de Salvador. Não por acaso, Rui Costa e o próprio Neto surgem como nomes que podem aparecer no pleito. Mas também não está descartada a possibilidade do PT apoiar outro partido da base.