Política

Após ataques de Milei a Lula e Moraes, governo decide devolver embaixador à Argentina

Após reuniões no Itamaraty, Brasil decide reintegrar Julio Bitelli à Argentina, visando reduzir tensões diplomáticas  |  Ricardo Stuckert / PR / Arquivo

Publicado em 30/07/2026, às 18h30   Ricardo Stuckert / PR / Arquivo   Davi Lemos

O governo brasileiro decidiu autorizar o retorno do embaixador Julio Bitelli à Argentina após uma série de reuniões realizadas no Itamaraty e no Palácio do Planalto. O diplomata foi chamado a Brasília depois das declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25), em São Paulo.

A data da volta de Bitelli a Buenos Aires ainda não foi definida. A estratégia do governo é reduzir gradualmente a tensão com o país vizinho, mas sem minimizar a gravidade do episódio. A permanência do embaixador na capital federal por mais tempo também funciona como uma demonstração da insatisfação brasileira.

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Segundo informações da CNN, a decisão foi tomada após discussões diplomáticas e políticas. O retorno somente poderia ser reconsiderado caso o governo argentino adotasse uma nova postura considerada ofensiva. No Planalto, entretanto, a avaliação é de que outra escalada se tornou improvável diante dos sinais de Buenos Aires em favor da distensão.

A crise começou depois que Milei, ao discursar em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”. Em reação, o chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para apresentar um protesto formal, enquanto Bitelli foi chamado para consultas.

Antes mesmo da convenção do PL, o Itamaraty já havia alertado a Casa Rosada sobre as “linhas vermelhas” que não deveriam ser ultrapassadas. Críticas à esquerda, ao socialismo e manifestações de apoio à direita brasileira seriam toleradas, mas ataques pessoais a Lula e a outras autoridades, sobretudo feitos em território nacional, foram tratados pela diplomacia como uma “risca no chão” capaz de provocar uma crise bilateral.

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