Política

Áudios provam que ala militar tinha pressa para dar golpe de Estado

Os áudios foram incluídos no inquérito elaborado pela corporação — entregue ao Supremo Tribunal Federal  |  Isac Nobrega / PR

Publicado em 26/11/2024, às 08h54   Isac Nobrega / PR   Rebeca Silva

Áudios capturados pela Polícia Federal, aos quais o Correio teve acesso, mostram que militares, integrantes da organização que pretendia dar um golpe de Estado, faziam pressão para colocar em prática o plano contra o Estado Democrático de Direito. 

Os áudios foram incluídos no inquérito elaborado pela corporação — entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) —, que detalha a trama para impedir a posse do presidente  Lula e do vice Geraldo Alckmin. 

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Em um dos áudios, o tenente-coronel Mauro Cid indica que o golpe deve ser levado a cabo antes do dia 12 — investigadores da PF acreditam que se trate de 12 de dezembro, dia em que a chapa liderada por Lula foi diplomada como vencedora das eleições presidenciais.

"Dia 12 seria... Teria que ser antes do dia 12, né? Mas com certeza não vai acontecer nada. E sobre os caminhões, pode deixar que eu vou comentar com ele, porque o Exército não pode 'papar mosca' de novo, né? É área militar, ninguém vai se meter", disse Cid.

Em seguida, Cid afirmou a Mário Fernandes que conversaria com o então presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto. 

"Não, pode deixar, general. Vou conversar com o presidente. O negócio é que ele tem essa personalidade, às vezes, né? Ele espera, espera, espera, espera pra ver até onde vai, né? Ver os apoios que tem. Só que, às vezes, o tempo tá curto, né? Não dá pra esperar muito mais passar, né?'", disse.

Em outro trecho, fica claro para os investigadores que a intenção golpista seria colocada em prática antes do dia 12. Porém, Bolsonaro teria sinalizado ao general Mário Fernandes que poderia ocorrer a qualquer momento até 31 de dezembro.

"Meu amigo, desculpe estar te incomodando tanto no dia de hoje. Mas são duas coisas. A primeira: durante a conversa que eu tive com o presidente ele citou 'pô, o dia 12 não seria uma restrição, por ser a diplomação do vagabundo, qualquer ação nossa poderia acontecer até 31 de dezembro'. E eu disse: 'Pô, presidente, a gente já perdeu tantas oportunidades'. Eu, meditando aqui em casa, pensei: a partir da semana que vem. Eu cheguei a citar isso para ele. Das duas uma: ou os movimentos de manifestação na rua vão esmaecer ou vão recrudescer. Recrudescer com radicalismos, e, aí, a gente perde o controle. Pode acontecer de tudo, mas podem esmaecer também", relatou Fernandes a Mauro Cid.

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