Política

“Autoritária”: Michelle Bolsonaro vive atritos com Flávio e impõe exigência para apoiar sua candidatura à Presidência

Desde dezembro, quando Flávio anunciou que o pai seria o candidato do bolsonarismo à Presidência, Michelle tem sido deixada de escanteio  |  Edilson Rodrigues / Agência Senado/Clauber Cleber Caetano/PR

Publicado em 16/06/2026, às 09h35   Edilson Rodrigues / Agência Senado/Clauber Cleber Caetano/PR   Rebeca Santos

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro continua distante da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. O motivo do afastamento são as brigas dentro da própria família por espaço e liderança política. Para voltar a apoiar a campanha, Michelle exige um pedido de desculpas.

Desde dezembro, quando Flávio anunciou que o pai seria o candidato do bolsonarismo à Presidência, Michelle tem sido deixada de escanteio. A informação sobre a exigência de um pedido de desculpas foi revelada pela colunista do GLOBO, Bela Megale, na segunda-feira (15).

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A queda de Flávio nas pesquisas fez o PL agir para tentar melhorar o relacionamento e trazer Michelle para a campanha. O argumento usado é que só com a eleição de Flávio ao Planalto é que Jair Bolsonaro teria chance de sair da prisão domiciliar. Até o momento, os filhos do ex-presidente não deram sinal de que vão fazer o pedido de desculpas  que ela cobra.

As tensões entre Michelle e os filhos de Bolsonaro vêm de discordâncias sobre alianças políticas e de uma disputa por protagonismo. Michelle e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro romperam relações depois que ele criticou a ideia de ela ser candidata a presidente ou vice.

Com Flávio, o relacionamento azedou quase um mês antes do anúncio da pré-candidatura. O senador fez críticas à madrasta, chamando a postura dela de “autoritária”.

A fala aconteceu após Michelle se posicionar contra uma aliança no Ceará que previa apoio a Ciro Gomes (PSDB) para governador. Ela defendia o nome do senador Eduardo Girão (Novo). Depois, Flávio disse ter pedido desculpas à madrasta.

Sem espaço na corrida presidencial, Michelle indicou que poderia disputar o Senado pelo Distrito Federal. Em março ela afirmou que vai ficar afastada enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro se recupera.

Em maio, um novo atrito envolveu Flávio, o banqueiro Daniel Vorcaro e a ex-primeira-dama. Segundo relatos ao GLOBO, Carlos Bolsonaro e Eduardo reclamaram da falta de uma defesa de Michelle após ela evitar comentar o caso e dizer que as perguntas deveriam ser feitas “ao próprio Flávio”.

O desconforto cresceu ainda mais porque, no mesmo evento em Brasília, Michelle se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “irmão em Cristo”. Ela usou a expressão ao falar da autorização dada por Moraes para que Jair Bolsonaro recebesse um cabeleireiro durante a prisão domiciliar.

Nos bastidores do PL, a atitude de Michelle é vista como uma forma de ela preservar sua posição caso Jair Bolsonaro decida fazer mudanças no cenário da direita.

Segundo o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, Michelle e Flávio não se falam. A comunicação entre eles tem sido feita apenas por intermediários, como o senador Rogério Marinho (PL-RN), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

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