Política

‘Bando de índio vagabundo’: MPF vai à Justiça contra Renan Santos e cobra R$ 500 mil por falas contra indígenas

Candidato à Presidência é acusado de discurso de ódio e racismo após atacar indígenas que protestavam contra projeto de hidrovias no Pará  |  Renan Santos - Divulgação/Missão

Publicado em 19/08/2026, às 08h45   Renan Santos - Divulgação/Missão   Eduardo Costa

O Ministério Público Federal (MPF) no Pará entrou com um processo contra o candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão), por declarações contra indígenas do estado.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Renan disse o seguinte: 

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

"Um bando de índio vagabundo e picareta do PSOL acabou com a possibilidade do uso de uma hidrovia".

A afirmação do candidato ocorreu durante protestos no terminal da empresa Cargill, em Santarém (PA).

Receba as principais notícias de Política no canal do BNews no WhatsApp!

Na época, indígenas da região do Tapajós, oeste do Pará, bloquearam o terminal portuário da empresa em 22 de janeiro, permanecendo no local por cerca de um mês em protestos contra o plano de hidrovias do governo Lula (PT), em rios da Amazônia.

O decreto foi revogado pelo governo, o que levou à desmontagem do acampamento, realizado na área externa da empresa.

O MPF pede à Justiça Federal uma indenização de R$ 500 mil a Renan Santos por, segundo o órgão, danos morais coletivos por conta das publicações consideradas discriminatórias contra 14 etnias indígenas do Baixo Tapajós.

A ação cita que o discurso foi uma "propagação de discurso de ódio e racismo". O MPF também inclui o MBL (Movimento Brasil Livre), organização fundada por Renan.

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube!

O órgão solicita também a remoção imediata das postagens, além da proibição dos réus de publicarem conteúdo que "ofenda ou deslegitime a identidade étnica desses povos", sob pena de multa diária de R$ 3.000 em caso de descumprimento.

Renan Santos falou sobre a ação na terça-feira (18), e afirmou que "reclamou dos índios criminosos".

Reclamei que índios criminosos, ou supostos índios criminosos, invadiram a área da Cargill deixando centenas de caminhoneiros esperando numa fila gigantesca, sem ter como ir ao banheiro, sem ter como beber água, e impedindo o escoamento da produção de grãos que vinha não só do Pará, mas vinham também do Mato Grosso, destruindo a possibilidade da construção de uma hidrovia, que conectaria ela própria com ferrovias e rodovias, melhorando o escoamento da nossa produção", afirmou Renan.

"Gravei um vídeo sobre isso, trouxe luz para esse tema nacionalmente e agora estou sendo acusado de [ser] uma pessoa que tem preconceito contra índios. E o Ministério Público Federal exige de mim uma retratação pública para as 14 etnias indígenas que supostamente eu ofendi e também o pagamento de R$ 500 mil para eles. Obviamente porque ninguém é de ferro, né? Todo mundo precisa de um dinheirinho", declarou.

Devid Santana/Bnews
Divulgação/Bnews

Classificação Indicativa: Livre


TagspolíticaJustiçaMPFprocessoindígenasrenan santoseleições 2026candidato presidente

Leia também


BANCO DO PASTOR: Vídeo mostra polícia fechando o cerco contra líder religioso investigado por causar prejuízo superior a R$ 1 milhão a fiéis


Eleições 2026: Veja a agenda dos candidatos ao governo da Bahia nesta quarta-feira (19)