Política
Publicado em 22/10/2026, às 13h27 Reprodução/Willer Tomaz Gabriel Dinis
Arquivos extraídos de aparelhos celulares periciados pela Polícia Federal revelaram que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o advogado Willer Tomaz, figura influente nos bastidores de Brasília e amigo próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), compartilhavam cotas de propriedades de altíssimo padrão e ativos de luxo no litoral do Rio de Janeiro.
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Os registros, que vieram à tona nesta quinta-feira (22), mostram que os dois usufruíam da mesma estrutura imobiliária no complexo Real Estate Duo, no litoral sul fluminense. O empreendimento reúne quatro mansões com acesso privativo ao mar e foi estruturado sob o modelo de multipropriedade administrado pela Prime You, companhia especializada na gestão de ativos fracionados da qual Vorcaro era sócio.
De acordo com o material analisado pelos investigadores, Vorcaro utilizava habitualmente a chamada Casa 2 do empreendimento. Já Willer Tomaz detinha uma cota de 25% da Casa 4, a maior e mais valorizada propriedade do condomínio, que conta com mais de 2,2 mil metros quadrados de área construída, sete suítes, heliponto homologado e uma embarcação privativa de 80 pés batizada de Alcazar.
O cruzamento de dados realizado pela PF constatou que a convivência patrimonial ia além da ocupação das casas. Conversas nos celulares revelaram que Vorcaro chegou a usufruir da lancha associada a Willer Tomaz durante viagens de fim de ano com familiares na baía de Angra dos Reis, evidenciando uma coordenação no agendamento e no uso dos bens custodiados pela administradora.
O compartilhamento patrimonial entre Vorcaro e Tomaz também se estendeu aos ares. Ambos possuíam participações fracionadas em um jato executivo Embraer Legacy 650 (prefixo PP-NLR), também gerido pela carteira da Prime You.
A aeronave já havia entrado no radar dos investigadores em apurações correlatas após ser utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro e por familiares em uma viagem de retorno de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, com destino a Brasília, em janeiro de 2025. Na ocasião em que o voo se tornou público, o parlamentar justificou o deslocamento afirmando que viajou na condição de convidado de Tomaz, sem manter relação direta com o banqueiro ou com a gestão do ativo.
Histórico de apurações
O compartilhamento de bens de luxo com Daniel Vorcaro se soma a uma série de outros episódios recentes que colocaram o nome de Willer Tomaz na mira de investigações federais.
No âmbito empresarial, o jurista já esteve no centro de apurações após admitir participação societária em uma empresa investigada pela PF, ligada ao setor de processamento financeiro e de pagamentos, em meio a investigações sobre a regularidade de contratos e estruturas societárias cruzadas.
Além disso, relatórios de inteligência financeira e investigações sobre lavagem de dinheiro também mapearam transações atípicas do advogado no mercado de apostas esportivas. Conforme revelado em relatórios da PF e do Ministério da Fazenda, Tomaz chegou a movimentar quase R$ 5 milhões em uma plataforma de apostas ligada a suspeitas de lavagem de capitais do PCC. Na ocasião, a defesa do advogado afirmou que ele atuava na condição de consumidor e usuário do serviço, atribuindo o expressivo volume financeiro a um quadro clínico de ludopatia (vício em apostas) e repelindo qualquer vinculação com o crime organizado.
Posicionamentos
Em nota, o advogado Willer Tomaz negou categoricamente qualquer relação de sociedade, parceria comercial ou vínculo pessoal de proximidade com Daniel Vorcaro. A defesa do jurista reiterou que a aquisição de cotas patrimoniais ocorreu estritamente por meio dos canais comerciais da Prime You no mercado aberto, tratando-se de contratos padrão de multipropriedade sem ingerência ou conhecimento prévio sobre a identidade dos demais cotistas dos ativos.
A assessoria de Daniel Vorcaro e a administração da Prime You têm reiterado perante as investigações que o modelo de negócios de fracionamento de bens é legalmente regulamentado, impessoal e auditado, atendendo clientes do segmento corporativo e privado sem qualquer irregularidade.
O senador Flávio Bolsonaro sustenta que suas viagens ocorreram a convite legal de amigos no âmbito privado, rechaçando qualquer relação com as investigações financeiras que recaem sobre ex-gestores bancários.
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